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‘Chefe’: presidente da Assembleia é emissário de João Amorim, afirma Polícia Federal

Gravações mostram diálogos entre Junior Mochi e o empresário João Amorim

10 FEV 2017
Airton Raes
07h00min
Foto: TopMídiaNews
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Victor Hugo - 28 anos

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Junior Mochi (PMDB), é apontado pela Polícia Federal como “emissário” do empresário João Amorim junto ao governo de Reinaldo Azambuja, do PSDB. De acordo apurado na Operação Lama Asfáltica, Amorim tentava “manter seu esquema de desvio de recursos públicos, fraude a licitações e a contratos em funcionamento no novo governo”, justamente através de Junior Mochi.

De acordo com o relatório feito pela Polícia Federal, João Amorim procurava uma forma de se aproximar do novo governo. Junior Mochi foi um dos políticos que Amorim procurou com esse objetivo. “João Amorim precisa manter seu esquema de desvio de recursos públicos, fraude a licitações e a contratos em funcionamento no novo governo Azambuja. Seu emissário junto aos novos governantes do Estado chama-se Junior Mochi”, continua o relatório.

Em interceptação telefônica feita com autorização judicial em 26 de novembro de 2014, ainda antes da troca de governo, Amorim pergunta a Mochi como foi o encontro com Azambuja e se “falou sobre aqueles assuntos”. Durante a conversa, Junior Mochi chama João Amorim de “chefe”. “Mochi passa para João um breve relatório sobre as conversas com a equipe do novo governo e aparentemente, sobre como João Amorim e a “organização” estará enquadrada nas novas estruturas de poder no Mato Grosso do Sul”, cita a Polícia Federal

Veja a conversa interceptada pela PF (mais detalhes nas fotos ao fim da matéria):

Junior Mochi: oi chefe

João Amorim: tudo bom? Só para saber. Você falou?

Junior Mochi: falei.

João Amorim: e ai?

Junior Mochi: dei uma conversa preliminar.

João Amorim: aham. Mas você gostou da conversa ou não?

Junior Mochi: achei que a conversa foi boa. Faltou agora, ficou de avisar hoje que dia nós vamos falar de novo. Se é amanhã ou depois.

João Amorim: tá. Não. Você falou sobre aqueles outros assuntos?

Junior Mochi: conversei com ele. Falei que tinha algumas questões  para a gente acabar de fechar e uma delas era relacionado a isso.

João Amorim: aham

Junior Mochi: acho que vai caminhar bem. Eu preciso te falar porque depois eu conversei. Tem mais uma. Nosso amigo que está lá pediu também, para mim, e eu fiquei de fazer a defesa ta?

João Amorim: você acha que vamos caminhar bem?

Junior Mochi: eu acho que sim. Eu acho que está bem. Eu sai d euma reunião agora, não com ele, mas com a equipe dele e está muito tranquilo

João Amorim: ta bom

Junior Mochi: comigo ta muito arrumado, ta?

João Amorim. Ta bom. Ok.

 

Em outra escuta telefônica, em 27 de novembro, Junior Mochi fala de um encontro rápido que teve com Azambuja. No mesmo dia foi noticiado que os dois iriam se reunir para tratar sobre a presidência da Assembleia Legislativa. “Só para te dizer que tive a conversa hoje cedo e foi boa, viu. Só eu e ele. Tá bom? Ai, você está no seu escritório?”, disse Mochi para Amorim e, em seguida, disse que iria passar em seu escritório para conversarem pessoalmente.

O relatório também traz diálogo entre Amorim e o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, Edson Giroto. “Eu to com o Junior Mochi. E ele me falou um negócio que ele falou para você de Campinas, não falou?”, questiona Giroto para Amorim.

A Operação Lama Asfáltica investiga uma organização criminosa que teria fraudado diversas licitações em obras públicas de Mato Grosso do Sul. Os suspeitos teriam cometido os crimes de sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva e fraudes à licitação. O nome da operação faz referência a um dos insumos utilizados em obras com indícios de serem superfaturadas identificadas durante as investigações.  

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nando viana

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