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Idoso morre em posto de saúde após sete horas aguardando ambulância

Família precisou do serviço de socorro duas vezes e, em ambos os pedidos, Samu estava sem veículos para atender o caso

26 SET 2016
Diana Christie
09h49min
Foto: Geovanni Gomes

O idoso Libertino Luiz de Moura, 85 anos, morreu na manhã deste domingo (25), após aguardar sete horas por uma ambulância no CRS (Centro Regional de Saúde) do Aero Rancho, em Campo Grande. Para a família, o sentimento de perda é ainda pior somado ao desgosto com o poder público, que falhou duas vezes em transportar o paciente para atendimento, mesmo quando a vaga em um hospital estava garantida.

“Infelizmente mais uma pessoa morreu pelo descaso na nossa saúde pública. Dessa vez foi meu avô, uma pessoa que era especial e como um pai para mim. Até quando vamos sofrer com tanta falta de vergonha na cara e despreparo de nossos governantes. Dessa vez não foi falta de médico e nem vaga em hospital, foi por falta de ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) para transferir o paciente a um hospital”, desabafa a neta Rosana Moura, nas redes sociais.

Segundo David Mantovani, marido de Rosana, o idoso começou a passar mal no início da manhã de ontem, quando a família acionou o serviço do Samu. Por telefone, os plantonistas informaram que não havia nenhuma ambulância disponível e, mesmo o paciente sendo diabético, com histórico de infarto e de idade avançada, havia outros casos mais urgentes a serem atendidos naquele momento.

Sem alternativa, a família contratou um serviço de táxi e levou Libertino ao posto de saúde mais próximo, no Aero Rancho. Conforme David, o idoso já chegou ao local desmaiando, foi colocado em uma cadeira de rodas e levado para atendimento imediato. Neste período, o paciente passou por duas paradas cardíacas e duas reanimações com sucesso, sendo que o médico conseguiu uma vaga no HU (Hospital Universitário).

“O médico disse ‘já liguei duas vezes no Samu e não tem ambulância, consegui a vaga mas não tem como transportar’. Apesar de forte, ele não tinha como resistir. Não era o lugar pra ele, não tinha nem oxigênio e estavam fazendo tudo manual. Ligamos em um serviço particular, na QualiSalva, eles iam cobrar R$ 1.023. Aceitamos pagar, mas tinha que ter um médico para acompanhar, o médico aceitou, sem problemas”, relata David.

Mesmo assim, a luta contra o tempo foi implacável. Após sete horas internado no posto, Libertino sofreu uma terceira parada cardíaca e acabou não resistindo. Para a neta Rosana, ficou o inconformismo. “Espero que agora, às vésperas da eleição a população saiba escolher quem vai representá-los durante quatro anos. Só espero que não sejam os mesmos incompetentes de sempre. Hoje foi comigo, amanhã pode ser com você, pagante de impostos e a mercê de representantes corruptos que só enxergam o próprio umbigo”, desabafa.

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