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há 1 semana

Caso de serial killer do bairro Danúbio Azul inspira livro escrito por delegada campo-grandense

O livro será lançado 10 anos após a descoberta dos crimes pela delegada que comandou as investigações

O caso do serial killer Luiz Alves Martins Filho, conhecido como Nando, volta a ser lembrado 10 anos após a descoberta dos crimes no livro escrito pela delegada responsável pelas investigações, Aline Sinnott Lopes.  O livro será lançado no dia 28 de maio, às 18h30, na ADEPOL (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de MS).

O crime foi descoberto em 2016, após a identificação de um cemitério clandestino no bairro Danúbio Azul, em Campo Grande. O livro ficcional "A jornada dos esquecidos" relembra o caso por meio de narrativas que misturam fatos reais sobre o caso e perspectivas ficcionais. 

Por meio da exposição dos bastidores policiais do caso, o livro relembra não apenas o crime, mas também as vítimas do assassino em série, que eram jovens periféricos e marginalizados. 

“Foi um caso, uma investigação, que impactou muito a minha vida e as pessoas ao redor depois que tudo veio à tona. Logo em seguida, tivemos outros dois casos de bastante repercussão, então era necessário colocar aquilo para fora de alguma forma, até mesmo pela forma visceral que tudo aconteceu”, pontua a autora.

Ao todo foram 16 vítimas assassinadas por Nando. As investigações tiveram início após o desaparecimento de uma das vítimas, identificado como Lucas, ser comunicado pelo seu irmão. Durante as apurações do caso, foram identificados outros relatos de pessoas desaparecidas, sendo todas elas envolvidas com uso de entorpecentes ou práticas ilegais. 

“Aquelas pessoas estavam sumindo e ninguém estava fazendo nada, nem nós estávamos fazendo nada. Até porque muitos casos sequer foram registrados e, afinal de contas, as vítimas em sua maioria eram criminosos que furtavam no bairro, eram usuários de drogas, garotas de programa, e não tinha nenhuma menina ou menino de posses ali, um jovem branco de olhos azuis”. 

As investigações desvendaram um homicida de adolescentes de 13, 16 e 17 anos. De jovens de 18, 22, 25 anos. Enquanto determinava o fim da vida de vários, o serial killer se satisfazia com a sua crueldade. Na época, o homem chegou a ser considerado um tipo de 'justiceiro' do bairro por algumas pessoas. 

“Tem um momento que me marcou muito, que foi quando a gente encontrou o [corpo do] irmão do Lucas, que demos a notícia, e o pai falou: ‘meu filho tinha mesmo que ter morrido’. Aquilo me chocou, me impactou, mas ele virou para mim e disse: ‘se meu filho não tivesse partido, o irmão dele não teria falado com a polícia e vocês não teriam encontrado o meu filho, nem teriam encontrado os filhos dos outros’. Então, toda pessoa tem um porquê nessa existência”. 

A delegada atua há 20 anos na profissão, além de ser graduada em Letras e Psicologia, além da graduação em Direito. 

Serviço: Lançamento do livro “A Jornada dos Esquecidos”
Link de pré-venda: https://editoraoeste.com.br/a-jornada-dos-esquecidos/
Local: ADEPOL - Rua Dr. Robison Benedito Maia, 321 - Carandá Bosque, Campo Grande.
Data: 28 de maio de 2026, às 18h30.

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