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De forma inusitada, Leni descobriu câncer da mama durante relação sexual

Na época, Leni não tinha o costume de ir ao médico para exames de rotina e dica do parceiro foi muito importante para o tratamento

02 outubro 2019 - 17h00Por Nathalia Pelzl

Leni Cordeiro, de 54 anos, descobriu que tinha câncer de mama em 2009. Segundo ela, de uma forma, no mínimo, inusitada. Natural de Rondônia, ela veio para Campo Grande para fazer o tratamento na Rede Feminina de Combate ao Câncer.

“Acho que sou uma das únicas que descobriu a doença dessa forma. Eu fiquei muito tempo sem me relacionar, aí arrumei um namorado e, na primeira vez que a gente foi ter relação sexual, na cama, ele tocou meu seio e disse ‘sabia que você tem um nódulo no seio?’ e falou para eu fazer mamografia, pois eu estava com câncer. Eu ri, achei engraçado só”, diz entre risos.

Ela conta que, na época, não tinha o costume de ir ao médico para exames de rotina, apenas fazia o autoexame em casa mesmo. Leni brinca que até hoje se pergunta como o namorado encontrou o nódulo, já que os seios eram grandes.

“Nunca vi nada parecido, na época meu seio era enorme, não sei como ele conseguiu sentir. Fui, fiz os exames, estava realmente com a doença. Fiz o tratamento, tive que tirar os dois, depois o SUS colocou de volta, só que menor, porém mais bonito”, ressalta.

Questionada sobre o relacionamento, Leni conta que não foi para frente, entretanto agradece, já que, na visão dela, o homem foi um ‘anjo’ enviado por Deus.

“Não estamos juntos hoje, vejo que foi um anjo que Deus mandou. Os pais dele ficaram doentes na mesma época, e ele morava no Piauí, aí ele acabou indo cuidar dos pais e eu vim para Campo Grande fazer o tratamento”, revela.

Ressignificação da vida e enfrentamento da doença  

Quando descobriu a doença, Leni levava outro estilo de vida. Ela conta que atuava como cabelereira e costumava andar sempre no ‘salto’, expressão usada por ela.

“Na época eu era cabelereira, trabalhava em um salão, andava maquiada e de salto alto o dia inteiro, aí me descobri com câncer. Um ano depois eu estava sem trabalho, sem mama, sem cabelo, sem sobrancelha e sem destino. Eu sou uma mulher que leva a vida de forma diferente, eu não fico abalada com qualquer coisa, não é pouca coisa que me derruba. Me vi nessa situação, mas nem isso me abalou, continuei meu tratamento e as coisas foram se resolvendo”, diz sem se vitimizar.

Sempre de bem com a vida e encarando os desafios e adversidades, Leni revela que, quando as colegas do salão souberam da doença, ficaram espantadas com a calma dela.

“Quando descobri, cheguei ao salão e falei para as meninas que estava com câncer, que ia fazer quimioterapia e que meu cabelo ia cair. Falei com uma calma que elas assustaram. Aí eu disse que o que queria delas era um lenço de cada uma que era pra eu não enjoar da minha cara”.

Mesmo sem emprego, sem cabelo e sem casa, Leni, que já levava a vida de forma leve, revela que viu um novo significado na sua existência.

“Aprendi que a vida não era só aquele quadrado que eu vivia, comecei a dar valores em outras coisas. Coisas que antes eu achava que eram prioridade na minha vida, hoje já não são mais, elas não significam nada. Descobri que eu podia ser feliz de outra forma”, finaliza.

Tratamento 

Gratidão, esse é o sentimento que Leni revela ter pela Rede Feminina, que atendeu e acompanhou todo o tratamento.

“Desde o início fui muito feliz no tratamento, porque eles tratam a gente como família, é muito apoio que recebemos da Rede Feminina do Hospital Alfredo Abrão. Somos bem tratadas, desde o pessoal que limpa o chão até o diretor, que encontra a gente e nos cumprimenta com um sorriso, um braço, isso não tem preço. Meu tratamento ainda não acabou, pois quando achei que estava tudo bem, eu descobri que estava com metástase óssea na coluna, eu estou fazendo tratamento ainda”,

Recado para as mulheres

Após sentir na pele os efeitos de não procurar um especialista, ela deixa um recado para as mulheres.

“Agora, com todas as mulheres que converso, eu falo para irem ao médico. Se a cabeça doeu, tem algo errado, se as pernas doeram, tem alguma coisa no corpo que não está funcionando bem, essas dores não vem sem motivo, se você não trabalhou, não andou o dia inteiro e seu corpo está cansado, tem algo errado. Quando as mulheres descobrem que estão com câncer, falo para darem a volta por cima, com um sorriso, com Deus, e confiando que tudo no fim dá certo”.