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Doação de óvulos divide opiniões de mulheres que reforçam solidariedade materna em Campo Grande

Entre as opiniões, mulheres falam de processo invasivo e ter que lidar com carga emocional da doação

29 setembro 2019 - 13h30Por Nathalia Pelzl

Em busca do sonho de gerar um filho, algumas mulheres que possuem dificuldades de fertilidade, seja por fatores genéticos ou até mesmo a corrida contra o tempo, acabam buscando voluntárias dispostas a doarem os óvulos.

Neste processo, a voluntária cede seu óvulo para que ele seja fecundado e transferido para o útero de outra mulher. A doação, segundo a lei no Brasil, é de forma anônima e a doadora não tem contato com a família.

Em Campo Grande, quando o assunto é doar ou não óvulos, as opiniões são bem divididas, sendo que algumas mulheres nunca nem pararam para pensar na questão.

Cristina Reis, de 34 anos, é agente administrativo e, atualmente, está gestante. Ela conta ser a favor da doação para ajudar mulheres que queiram realizar o sonho de ser mãe.

A acadêmica de mestrado, Winny Santana, de 22 anos, contou que nunca tinha parado para pensar sobre o assunto. Entretanto, acha o processo evasivo.

“Acho que até para doar para alguém que não conseguisse ter filho, eu iria pensar muito. Acho que é um processo invasivo. Não sei seu passaria por esse tipo de procedimento para doar os meus óvulos, mesmo por dinheiro ou solidariedade”, destaca. Ela ainda defende outras formas de exercer a maternidade.

“Temos a adoção também, temos muitas crianças precisando de lares”, complementa.  

A jornalista Rayani Santa Cruz, de 31 anos, defende que a doação é um processo que renova as esperanças da mulher que deseja ter um filho. Questionada se doaria também por dinheiro, ela afirma que pensaria no assunto, já que não é permitido em lei.

“Eu acho que doaria sim, nos dois casos. É claro que a gente não sai procurando por alguém que esteja disposto a pagar (se fosse permitido, claro). Eu nem conheço na realidade. Mas assim, se for falar em doação somente para ajudar outras mulheres, soa bem mais bonito e humano”, destaca.

A acadêmica de ciências sociais, Tatiana Lopes, de 24 anos, concorda com Rayani sobre o ato ser bonito e humano. Ela também pontua que não saberia lidar com esse processo de doação.

“Penso que a doação de óvulos é um ato caritativo admirável, mas que não deveria ser feito por retribuição financeira, assim como não é permitido na doação de sangue, medula ou órgãos. Eu, pessoalmente, não sei se conseguiria lidar com a carga emocional que essa concessão acarreta. Como não sei se me sentiria a vontade em receber o esperma de um desconhecido”, finaliza.

É válido lembrar que as regras gerais para a doação de óvulos impedem qualquer caráter lucrativo ou comercial. Além disto, as doadoras não devem conhecer a receptora, e nem vice-versa, é obrigatório o sigilo e anonimato.