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Em crise, cultura da Capital é debatida com humor ácido em documentário

11 março 2015 - 14h51Por Tainá Jara

Em confraternização entre amigos, fofoca sobre o círculo de convivência é normal. Gera risos em torno de críticas ácidas, o que não dói nenhum um pouco se acompanhadas de uma boa reflexão. Foi em um ambiente com toda essa descontração, acompanhada de pastel frito,  cerveja gelada e rodeado de obras de artes genuinamente sul-mato-grossenses que nasceu o documentário A Língua Preta do Wenceslau, dirigido por Cândido Alberto da Fonseca.

Traçado ainda sem imaginar o rumo que a cultura tomaria na cidade, o documentário será lançado durante uma das maiores crises já vividas pelo setor. As gravações começaram em 2013 e vislumbraram de maneira displicente o cenário atual da cultura na Capital, marcado por inadimplência de órgãos  público, que levou a um ano de recessão no setor e culminou com o abandono da direção da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), pela então presidente, Juliana Zorzo, nesta quarta-feira (11).

O pano de fundo da narrativa é bem mais ameno do que as intensas manifestações vistas nas últimas semanas. A casa de portões baixos e quadros expostos na varanda, localizada no Jardim São Bento, há 12 anos abriga o Wenceslau Molduras. Apesar da oferta de serviço singelo, o espaço acaba suprindo parte da carência de espaços públicos reservados para as manifestações culturais e se tornou reduto em Campo Grande reunindo artistas e colecionadores.

 Confraternização de sábado no estabelecimento. (Foto: arquivo pessoal)

 

Ao sábado é reservado o dia mais movimentando do estabelecimento. As portas são abertas e o quintal ocupado para vendas de obras de arte. O encontro entre entusiastas e artistas rende debates acalorados. "É um espaço onde a  cultura é abordada de maneira informal", afirma Cândido.

As cenas não fogem ao ambiente natural e têm como um dos fios condutores a própria figura do Wenceslau. Homem miúdo e de fala bem-humorada, Wenceslau Carlos de Oliveira, 47 anos é o criador do espaço e é a quem muitos atribuem ser o dono da língua preta. Sobre a carapuça de fofoqueiro ele se defende. "Na verdade é como chamamos os encontros aqui. É o lugar que se fala de tudo e de todo mundo um pouco, é claro, que no bom humor", afirma o empresário.

 Wencesleu mantém estabelcimento há 12 anos no Jardim São Bento. (Foto: arquivo pessoal)

Entre os nomes que não dispensam o prazer em tecer comentários da vida alheia estão os artistas plásticos Ilton Silva, Humberto Espíndola, Luiz Xavier, Tom Barbosa, Anelise Godoy e colecionadores como o professor universitário, Gilberto Luiz Alves.

Artistas plásticos Ilton Silva e Humberto Espíndola. (Foto: arquivo pessoal)


Rendendo mais que imagens

Muito mais do que conversa fiada, os encontros no Wenceslau Molduras renderam, além de um longa-metragem com tema pioneiro no estado, a criação do livro dedicado ao artista plástico Ilton Silva.

O livro resultou de uma conversa entre o cineasta e jornalista Cândido Alberto da Fonseca, o crítico cultural Gilberto Luiz Alves e o ex-assessor de governo Carlos Roberto de Marchi. Em 141 páginas, estão reunidas mais de 250 obras do artista, além de textos introdutórios assinados por Cândido e Gilberto.

As obras presentes nas páginas do livro fazem parte do acervo de colecionadores da Capital, entre eles, Marta Guizzo, Isaac de Oliveira, Wenceslau Carlos de Silveira, além dos responsáveis pela obra. Os direitos autorais da obra serão repassados a Ilton Silva.

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