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há 11 horas

Exposição coletiva reúne artistas nacionais e regionais em Campo Grande até 24 de julho

Mostra em cartaz apresenta obras com reflexões sobre memória, território, meio ambiente e arte contemporânea

Está aberta para visitação em Campo Grande, até o dia 24 de julho, a exposição coletiva “Na véspera de dentro”, promovida pelo NAUS – Plataforma Sul-mato-grossense de Incentivo à Criação em Artes Visuais. Sob a curadoria de Elias de Aquino, a mostra reúne criadores de diferentes trajetórias e regiões do país, promovendo um intercâmbio estético que desafia as lógicas convencionais do circuito de arte tradicional.

A coletiva nasce com o propósito de tensionar as fronteiras da visualidade contemporânea. Reunindo produções que passam pela pintura, marchetaria contemporânea, fotoperformance, apropriação de objetos cotidianos e investigação das memórias de infância, a exposição transforma o espaço do NAUS em um campo de fricção e diálogo nacional, funcionando de forma paralela ao circuito individual do programa Farol.

"Buscamos construir uma mostra em que o território, o afeto e a matéria se cruzassem de forma visceral", afirma o curador Elias de Aquino. "Os artistas convidados operam em poéticas que rompem com a neutralidade. São trabalhos que carregam rastro, deslocamento, denúncia e fabulação. Trazer esse circuito para Campo Grande é expandir o debate sobre o que pode ser e para onde caminha a arte contemporânea produzida tanto no Centro-Oeste quanto por artistas que circulam a partir dele."

Obras

Antonio Junior (MS/PR), nascido em Vera Cruz do Oeste (PR) e residente em Campo Grande (MS), é artista visual, professor, pesquisador e doutor em Artes Visuais pela UFSM, com estudos realizados na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (Portugal). Suas pinturas em exibição originam-se de sua pesquisa de doutorado, na qual investigou as queimadas em terrenos baldios urbanos de Campo Grande. A partir de caminhadas e registros fotográficos do descarte e do abandono nesses espaços, ele traz para a tela os rejeitos que a própria população muitas vezes prefere ignorar.

Iuri Dias (MS/SP), nascido em Lucélia (SP), residente em Campo Grande, mestre em Artes Visuais pela UFRGS e graduado pela UEL, apresenta na mostra o díptico “Galo que muda de cor do Seu Ilson”. Desde 2020, o artista desloca a técnica da marchetaria de seu caráter tradicionalmente utilitário para o campo da arte contemporânea, ressignificando corpos, vivências e contextos rurais e periféricos. Composta por pelo menos 13 espécies de madeira em diferentes tonalidades, a obra homenageia o desejo de infância de seu sogro, Seu Ilson, de ter um galinheiro após a aposentadoria, capturando o efeito iridescente das penas sob a luz do sol através de uma convivência íntima.

Ana Reis (GO), artista, performer e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), apresenta a obra “Filtro de Barro (Fé Cega, faca amolada)”, integrante da série de fotoperformances “Autoficções de isolamento”, iniciada em 2020. Doutora em Poéticas Contemporâneas pela UnB, sua pesquisa investiga micropolíticas de guerrilha e práticas autobiográficas que produzem rachaduras nas relações hegemônicas de gênero e colonialidade.

Eliane Fraulob (RJ/MS), artista visual campo-grandense residente no Rio de Janeiro e ligada à Escola de Artes Visuais do Parque Lage, retorna à cidade natal expondo pela primeira vez após três anos de migração. Sua produção explora paisagens oníricas a partir do que chama de “mato”, tencionando memórias simbólicas e crises ambientais através de gizes, marcadores e tintas que tangenciam o pixo e a escrita assêmica (gestual). Nas telas “Pé de Vento” e “Segredo para a Terra”, presentes na mostra, a caligrafia visual não busca ser decifrada, mas sim aproximar o público de um mistério aberto à imaginação.

Gabriel Matos (DF), artista visual e diretor de arte formado em Comunicação Social, faz seu debut expositivo em Mato Grosso do Sul trazendo reflexões profundas sobre o êxodo rural, migração e afetos. O artista intervém em objetos cotidianos para ressignificá-los de forma visceral. Na instalação de parede “Infiltração”, utiliza uma série de tranças (técnica manual de arreio de cavalo) que deságuam e correm para fora de um filtro de barro rachado. Na obra “Ed Sal e Ed Doce”, apresenta uma pamonha feita de argamassa (material de edificação) curada dentro da própria palha, amarrada com cordões encerados vermelhos sobre uma bandeja.

Wendel Fontes (MS), graduado em Artes Visuais e pós-graduado em História da Arte, é atuante na cena local desde 2020, com passagens pelo MARCO e festivais como o Campão Cultural. Sua pesquisa em pintura a óleo nos últimos três anos investiga os fragmentos e as permanências da infância na vida adulta. Através de cores intensas, perspectivas distorcidas e objetos fora do lugar comum, suas telas retratam crianças em momentos de profunda introspecção lúdica, gerando um estranhamento poético.

 

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