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Na Capital, Bonde do Tigrão fala sobre sucesso, preconceito e ascensão do funk carioca

Completando 17 anos de carreira, trio trabalha novas músicas e planeja gravar novo DVD

4 SET 2016
Diana Christie
09h47min
Foto: André de Abreu

São 17 anos de carreira e músicas que marcaram uma geração. Seja admirador, seja crítico, é impossível negar que os batidões ‘Cerol na Mão’ e ‘Tchutchuca’, lançados no final da década de 90, são conhecidos até hoje e agitam qualquer balada, festinha no final de semana ou até se for apenas para limpar a casa. De passagem por Campo Grande, os integrantes do Bonde do Tigrão falam sobre os projetos do trio, o preconceito e a ascensão do funk carioca.

Energia pura. Assim pode ser descrito um show comandado pelo vocalista Leandrinho. Nas coreografias, Góia e Teacher não deixam ninguém ficar parado e o público vibra, principalmente com as canções mais conhecidas. Eles já fizeram turnê na Europa, nos Estados Unidos e Japão, mas o som que saiu da comunidade Cidade de Deus, na periferia do Rio de Janeiro, permanece com o mesmo estilo de suas raízes.

É esse estilo que vem sendo copiado, adaptado e reformulado pelas novas gerações. Para quem é das antigas, a ascensão do funk carioca pode ser atribuído, principalmente pelo apoio da mídia. “Eu sou da época que sofreu bastante preconceito. O funk, de uns três quatro anos para cá, ele cresceu bastante, realmente porque a mídia tornou a abraça-lo de novo. Antigamente, não. O funk ficava um ano na mídia, TV e depois sumia de novo. Agora não”, destaca Leandrinho.

Mas os meios de comunicação não são detentores de todo o crédito. Fator importante para o crescimento do ritmo, que pode até ter começado na Cidade Maravilhosa, mas agora é patrimônio cultural de todo o país, está no talento de novos cantores do gênero. “Graças ao surgimento de novos artistas como Naldo, o próprio show da Anitta e da Valesca, ajudou bastante o movimento. E pra gente, que é um pouquinho mais antigo, a gente fica feliz de ver tanta gente boa surgindo e ajudando o crescimento”, continua o funkeiro.


‘É som de preto. De favelado. Mas quando toca. Ninguém fica parado’. Já dizia o clássico entoado por Amilcka e Chocolate. No entanto, o funk possui outro lado, da erotização, das letras ‘proibidas’, que falam sobre libertação sexual e, às vezes, fazem apologia a temas nada bonitos como o machismo e a violência. Um dos precursores do movimento, o Bonde do Tigrão aposta nos trocadilhos, no duplo sentido. Segundo Leandrinho, o trio respeita seu público, mas cada pessoa tem o direito de escolher o que deseja ou não ouvir.

“Eu acho que isso faz parte. É complicado. As nossas músicas são voltadas também, ela tem um pouquinho de erotismo também. Mas é claro que a gente procura sempre respeitar o nosso público. Não fazer letras tão pesadas. A gente faz letras com duplo sentido, mas nada com palavrão, escrachando, entendeu? Mas é aquilo, cada um ouve o que quer. O funk tem o lado proibido dele, aquele lado bem favela. Mas aí a pessoa vai ouvir se ela quiser, se não for o feitio dela, ela não vai ouvir. Tem gente que gosta de um proibidão e tem gente que não gosta. Isso faz parte”, diz sobre o erotismo presente nas letras.


Carreira

Neste ano, o Bonde do Tigrão comemora 17 anos de carreira com uma agenda de shows lotada. Trabalhando duas novas músicas: ‘Teste do Bumbum’ e ‘Descidinha’, eles anunciam que novidades estão chegando. “A gente está comemorando 17 anos. No final do ano a gente vai se reunir e vai entrar em pauta um novo DVD. O primeiro que a gente lançou tem mais ou menos três anos, que foi gravado o baile em Porto Alegre, o DVD ‘A Fera Voltou’. De lá pra cá, a gente, graças a Deus, não teve tempo para parar, estamos trabalhando direto e agora no final de ano, a gente vai se juntar para bolar e planejar um novo show para que em 2017 a gente possa lançar e gravar um novo DVD”.

Mais informações e agenda de shows, você confere aqui.

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