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Plástico reciclado de embalagens de shampoo vira prótese para crianças

Ideia de reutilizar materiais que seriam descartados em salões de beleza é de um cabeleireiro, que agora é proprietário de uma empresa voltada para a reciclagem do material

29 agosto 2019 - 14h38Por Da redação/Revista Galileu

Durante seu 40 anos de experiência, o cabeleireiro Bernie Craven, hoje aposentado, vivenciou o desperdício diário dos salões de beleza da Austrália. Não apenas o cabelo, mas também embalagens de shampoo e condicionador podiam ter fins diferentes. Por isso, ele criou um projeto para fabricar próteses para crianças usando utensílios plásticos descartados pelos cabeleleiros.

Duas crianças que nasceram sem a mão esquerda, Connor Wyvill, de 11 anos, e Haley Wright, de 12 anos, foram as primeiras a experimentar as próteses criadas pela Waste Free Systems, empresa fundada por Craven.

À GALILEU, o empresário conta que as crianças estão usando as mãos biônicas há mais de dez semanas e o resultado tem sido positivo. Os pequenos amam esportes e ganharam uma outra prótese à parte só para andarem de bicicleta.

O teste das próteses com os meninos é um primeiro passo para que os aparelhos comecem a ser comercializados. “Ambos sentiram que elas eram um pouco longas e queriam ter mais controle nos dedos, então fizemos alterações", conta Craven. Em breve, o menino e a menina devem receber uma nova versão. 

A empresa pretende continuar trabalhando com as crianças conforme elas crescem – a ideia é que as próteses provisórias se tornem mãos robóticas definitivas.

Para fabricar os protótipos, a empresa fez uma parceria com a ONG E-Nable, que produz próteses em 3D para crianças ao redor do mundo. Uma vaquinha online também tem ajudado: pouco mais de 10 mil dólares australianos (cerca de R$ 28 mil) foram arercadados até agora.

Construindo uma mão biônica

Para desenvolver as primeiras próteses, o plástico coletado nos salões de beleza é destinado a um armazém, onde é selecionado. Os passos seguintes são lavar, secar e picar os polímeros. Depois, um desumidificador resseca o material, que é colocado, na sequência, em uma máquina de extrusão. O aparelho força o plástico para que ele saia em forma de filamento – esse fio, por sua vez, é usado para imprimir a mão em 3D.

O primeiro protótipo criado nesse sistema demorou nove horas para ser impresso e exigiu 42 metros de plástico compressado. O projeto ganhou uma bolsa de pesquisa na Universidade de Tecnologia de Sydney. Um engenheiro da universidade e estudantes de outras instituições australianas, como a Universidade de Queensland e a Universidade de Sunshine Coast, estão ajudando na parte técnica do trabalho.

Atualmente, a Waste Free Systems oferece a diversos salões na Austrália caixotes para que cada empresa separe seus materiais recicláveis, impedindo que até 90% do material seja descartado incorretamente.

O foco é recolher especialmente o plástico, mas também são reciclados outros materiais, como papelão, vidro, ferramentas eletrônicas, produtos químicos e cabelo – usado para produzir fertilizantes usados em jardins comunitários locais.

Caixões de reciclagem fornecidos pela Waste Free Systems (Foto: Facebook/ Waste Free Systems )

“Nosso plano de negócio é reduzir o lixo levado aos aterros e, desse modo, reverter o impacto no meio ambiente, educando empresários para que eles reimaginem e reorganizem seus desperdícios de uma maneira melhor”, afirmou Craven. Que belo exemplo, não é mesmo?