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Campo Grande

Se lei fosse aplicada, alunos que gravaram filme polêmico em escola poderiam pagar multa

As imagens divulgadas nas redes sociais desrespeitam lei estadual que impede o uso de celulares em sala de aula

08 outubro 2018 - 11h10Por Dany Nascimento

Os responsáveis por divulgar vídeos de um filme com cenas de sexo entre homossexuais na Escola Maria Constância de Barros, em Campo Grande, podem ser penalizados por desrespeitar a Lei Estadual n° 2.807, que proíbe a utilização de aparelhos celulares dentro da sala de aula.

“Proíbe o uso de telefone celulares, walkmans, diskmans, Ipods, MP3, MP4, game boy, aparelhos portáteis de TV, agendas eletrônicas e quaisquer outros aparelhos portáteis capazes de produzir sons e ruídos nas agências bancárias e instituições assemelhadas, nos postos de gasolina, cinemas, teatros, sala de aula, bibliotecas, salas de concertos, audiências, conferências, e dá outras providências. (redação dada pela Lei nº 4.112, de 17 de novembro de 2011)”, preconiza a lei.

De acordo com o artigo 4° da lei, “o descumprimento ao disposto na presente Lei acarretará multa correspondente ao valor de 20 (vinte) UFERMS ao usuário do aparelho, dobrados no caso de reincidência”.

Pelo menos dois vídeos foram divulgados nas redes sociais, com cenas do filme exibido, gerando revolta entre os internautas. O caso aconteceu na última quarta-feira (3) e as imagens foram publicadas na página pessoal de Roberto Gomagal, em modo público. O autor da publicação demonstra repúdio a exibição, e acusa o professor de artes e o diretor da escola de, inclusive, proibir os alunos de saírem da sala.

“Além de não serem informados, após adentrarem ao auditório os mesmo foram proibidos de sair durante a apresentação e ameaçados pelo responsável caso alguém filmasse ou fotografasse as cenas do repugnante filme. [...] Jovens a partir de 14 anos das 1 series A, B, C e D, 2 series A, B e C, 3 series A e B, foram mantidas ‘em cativeiro’ sem poder se retirar do recinto até que fossem exibidas as cenas de sexo explícito”, escreveu Roberto.

A maior parte dos comentários condena a situação narrada pelo autor da publicação e há até mesmo ameaças contra os responsáveis em exibir o filme. Em um dos comentários sobre o conteúdo, contudo, a afirmação de que a sessão foi obrigatória aos alunos é contestada. “[...] qualquer um tinha a autonomia de sair da sessão quando quisesse, ninguém foi obrigado a ficar em ‘cativeiro’”, escreveu uma pessoa.

Sobre o filme

A produção foi rodada em Campo Grande e se chama ‘Crime Barato’, dirigida por Mhiguel Horta e para sua finalização contou com recursos do FMIC (Fundo Municipal de Investimento Cultural), oriundos da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo). O longa tem 95 minutos e nos mostra a relação conturbada de Michael, vivido pelo ator João Pedro Xavier, e Elias, interpretado pelo ator Diogo Adriani.

Os dois são namorados, mas acabam se afastando. Quando se reencontram Michael tem uma grande surpresa e decide romper de vez por não aprovar o que vê, mostrando que também há preconceito dentro do mundo LGBT.

Mhiguel buscou trabalhar a sensibilidade, transformando estereótipos como gays, drags, travestis, pessoas trans em personagens com possibilidades, sem o foco na ênfase sexual.

Outro lado

O TopMídiaNews entrou em contato com o professor, mas ele preferiu não comentar a polêmica. A Secretaria Estadual de Educação disse que iria investigar o caso através de processo administrativo. Já o diretor do filme disse que iria conversar com os responsáveis pela exibição aos alunos, e preferiu não se pronunciar.

Veja o Vídeo