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Campo Grande

Ar provinciano e parques são eleitos conquistas em 120 anos de Campo Grande

Historiadores regionais elegeram fatores que deixam a Cidade Morena incomparável

26 agosto 2019 - 07h00Por Rayani Santa Cruz

Capital com ar interiorano, essa é a melhor definição para a Cidade Morena. Fundada em 1989, a pequena Vila de Santo Antônio de Campo Grande cresceu, virou capital, e sempre esteve de braços abertos a todos que chegavam. Completando 120 anos, hoje, 26 de agosto, a cidade coleciona conquistas almejadas em plena juventude.
 
Em conversa com historiadores e arquitetos, foi levantada a importância da instalação da  Ferrovia Noroeste do Brasil em 1914, um marco determinante para o desenvolvimento. “Pelo menos até a década de 1970, o crescimento sempre foi às margens da ferrovia”, disse a historiadora Maria Madalena Greco.
 
Para a especialista em história regional, a principal conquista está relacionada a questão cultural e de formação, que mantém a característica de cidade interiorana. “Não temos um trânsito tão caótico. Vejo com um ar bem provinciano, num sentido bom de acolhimento de ter uma cidade ampla, viável em termos de acessibilidade. Pode melhorar, sem dúvida, mas a capital tem varias conquistas e, ao meu ver, é essa proximidade com o interior”.
 
Para o historiador Eronildo Barbosa, as conquistas em obras que mudaram a vida da população, tiveram início na década de 1990, com a construção do Parque das Nações Indígenas, o estádio Jaques da Luz, pistas para ciclistas, praças nos bairros,  revitalização da Esplanada Ferroviária, e Orla Morena. 

“São obras importantes porque as pessoas carentes conseguem usufruir do esporte e lazer, usando esses espaços públicos. Nos últimos 20 anos, você tem essas construções, mas, em compensação as pessoas deixaram de frequentar certos locais do centro”.
 
Em acordo com o colega, a historiadora Maria Madalena  explica que cidade sempre teve um olhar voltado para obras importantes, como o Guanandizão, Morenão, culminando em grandes áreas verdes. “A cidade tem muitos espaços abertos, que atende os anseios da população. Até por conta do clima, temos em nossa cultura de permanecer fim de tarde e visitar parques”.

Barbosa, criticou o abandono da antiga Rodoviária que faz parte da história da capital. “É um prejuízo imenso ao bairro, e aquelas pessoas que residem na região”.

O professor reclamou sobre a falta de incentivo a cultura, como shows gratuitos nos Parques e Praças do centro, mas, comemorou que as comunidades de bairros distantes se organizam e preparam ações cada vez mais sem participação do poder público. 

Para a arquiteta Neila Janes Viana, inúmeras conquistas foram realizadas por meios das obras. Ela destacou a construção de escolas, hospitais e desenvolvimento de infraestrutura nos bairros ao longo dos anos. A professora indicou obras de drenagem e pavimentação asfáltica, assim como grandes construções como a antiga e esquecida rodoviária e mais recente quase sendo entregue o Reviva Centro que faz parte da revitalização. 

Um pouco da história

Fora a Ferrovia construída na década de 1920, posteriormente houve a construção dos quarteis militares e do Comando do Oeste que trouxe investimentos ao município. A instalação da Universidade Estadual de Mato Grosso (atual UFMS), antes da divisão do Estado ao final da década de 1950, trouxe os primeiros cursos superiores. 

Em 1970, deu na construção de outra arquitetura importante: o Terminal Rodoviário e de transporte coletivo na área central. A Santa Casa teve início e, juntamente com alunos de medicina da UFMS, transformou Campo Grande em centro econômico e de serviços; uma cidade de médicos especialistas. Posteriormente outros hospitais como Rosa Pedrossian foram construídos.

Em termos de educação, as escolas grandes como Dom Bosco, Maria Auxiliadora e Mace, Universidades como a Uniderp e Osvaldo Cruz, trouxeram centenas de estudantes do interior para o município. 

Na década de 1980, houve o crescimento do lado leste da cidade devido a construção do Parque das Nações Indígenas, instalação da sede do Governo do Estado no Parque e, posteriormente, o shopping Campo Grande. 

As ruas e praças também contam a história da cidade e foram retratadas nas obras de Paulo Coelho Machado. Elas tiveram suas marcas e peculiaridades desde a Rua Velha (26 de Agosto), a rua 7 de setembro (rua do fecha nunca), a 15 de Novembro que era a rua dos regos d’água, e a grande avenida, que é a Afonso Pena (antiga Hermes da Fonseca).

Instalação de infraestrutura, como pavimentação asfáltica, construção de pontes de concreto, e fornecimento de água tratada em todos os bairros é uma infraestrutura marcante na década de 1980 a 1990 e mais recente o acesso à rede de esgoto em todas as regiões. 

Os parques públicos, e demais empreendimentos como Esplanada Ferroviária, Orla Morena, Monumento Maria Fumaça foram tomando forma a partir dos anos 2000.