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Campo Grande

09/04/2026 11:00

Família de menino de 9 anos que morreu após idas e vindas a UPAs aguarda prontuário da perícia

O caso segue cercado de questionamentos, e a família espera que o atestado de óbito ajude a esclarecer as circunstâncias da morte

A família do menino João Guilherme Jorge Pires ainda aguarda a emissão do atestado de óbito, documento essencial para esclarecer oficialmente as causas da morte.

Segundo Adriana Soares, tia da criança, o documento ainda não foi liberado, mas há previsão de que fique pronto ainda nesta quinta-feira (9). “O atestado de óbito ainda não ficou pronto, mas ficará hoje”, afirmou.

A família relata que não tem recebido atualizações por parte das autoridades ou da unidade responsável. 

Mesmo com a expectativa pelo laudo oficial, os familiares afirmam que não esperam uma conclusão diferente do que já suspeitam. “Além da negligência? Não”, disse a tia, ao reforçar a desconfiança sobre possível falha no atendimento.

O caso segue cercado de questionamentos, e a família espera que o atestado de óbito ajude a esclarecer as circunstâncias da morte.

O caso

A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, está sendo investigada após uma sequência de atendimentos em diversas unidades de saúde de Campo Grande. A suspeita é de possível negligência médica. O caso foi registrado na Depac Cepol pela família da vítima.

Segundo o boletim de ocorrência, o problema começou no dia 2 de abril, quando o menino sofreu uma queda enquanto estava sentado. Ele foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Tiradentes, onde passou por consulta, realizou exame de raio-X e foi liberado com medicação para dor, sem diagnóstico de lesão na perna esquerda.

No dia seguinte (3), ainda com dores, ele foi atendido novamente, desta vez na UPA Universitário, sendo liberado com a mesma prescrição.

Já no dia 4, os pais voltaram a procurar atendimento na UPA Universitário, com a criança apresentando fortes dores no peito. Conforme relato da família, ele recebeu uma injeção, cujo medicamento não foi informado, e foi liberado após a médica atribuir o quadro à ansiedade.

No domingo (5), diante da persistência dos sintomas, João retornou à unidade, onde ficou em observação e realizou novo exame de imagem. Desta vez, foi constatada uma lesão na perna esquerda, possivelmente uma rachadura na região do joelho. Ele foi orientado a procurar a Santa Casa no dia seguinte para imobilização.

Na segunda-feira (6), a família seguiu a recomendação, e a criança teve a perna imobilizada com uma tala na Santa Casa, sendo liberada em seguida.

Horas depois, no entanto, o quadro se agravou. Ainda na segunda-feira, João Guilherme passou mal, desmaiou e, segundo a família, ficou com coloração arroxeada, principalmente nas pernas. Ele foi levado às pressas, por meios próprios, à UPA Universitário, onde chegou desacordado.

De acordo com o registro, no local não havia médico disponível no momento da chegada. Profissionais iniciaram os primeiros socorros, com uso de oxigênio e procedimentos de reanimação, incluindo intubação. Em seguida, o paciente foi encaminhado à Santa Casa.

Na unidade hospitalar, ele chegou a ser reanimado novamente, mas não resistiu e morreu pouco tempo depois.

Conforme documentação, a criança deu entrada na Santa Casa às 0h18 do dia 7 de abril, e o óbito foi constatado às 1h05 pelo médico responsável.

A família questiona a condução dos atendimentos e afirma que não houve investigação adequada das dores relatadas ao longo dos dias, especialmente as dores no peito.

O caso foi registrado como ocorrência na Polícia Civil e deverá ser apurado para verificar se houve falha ou negligência no atendimento médico prestado.

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