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Em MS, duas mulheres morrem vítimas de feminicídio todos os meses

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídios do mundo, o Estado é o 9º do país

29 dezembro 2018 - 07h00Por Nathalia Pelzl
Em MS, duas mulheres morrem vítimas de feminicídio todos os meses

Crises de ciúmes excessivas, proibir de ter contato com amigos, não aceitar o término do relacionamento, tudo isso é indicativo de que o relacionamento é abusivo e que possa vir a ser violento. E,  nestes casos nem sempre acaba bem.

Segundo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), 26 casos de feminicídios foram registrados em 2018 em Mato Grosso do Sul, sendo 20 no interior e 6 em Campo Grande. Ou seja, mais de dois assassinatos de mulheres por mês.

De acordo com os registros da DEAM, em 2016, foram 34 casos de feminicídio; em 2017, foram 27 ocorrências e, neste ano de 2018, até novembro, já foram registrados 26 casos.

Os números muitas vezes diminuem, pois alguns casos mudam de qualificadora durante o processo, assim o réu deixa de ser indiciado por feminicídio e passa a responder por estupro, lesão corporal, ameaça ou homicídio.

No entanto, conforme o Mapa da Violência de 2015, Mato Grosso do Sul é o 9° Estado do país quando se fala em feminicídio. O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídios do mundo.

Para a delegada da Mulher de Campo Grande (MS), Joilce Silveira Ramos, a mulher corre muito risco dentro de casa, principalmente quando existe uma separação em que o parceiro não aceito o término do relacionamento.

“A mulher corre risco principalmente quando solicita medidas, pede a revogação e volta a residir com o autor. Mas as mortes não são causadas somente pelos companheiros. A maioria dos crimes são praticados pelo fato do homem não aceitar o fim do relacionamento e, principalmente, por não aceitar ver a 'sua' mulher com outro homem.”, ressalta.

A delegada comenta ainda que não existe mês mais violento, existem feriados, finais de semana e final de ano. Segundo ela, um dos fatores que contribuem para o aumento desse crime é o consumo de bebida alcoólica.

Um dos casos de feminicídio mais recente é o da estudante de História, Maiana Barbosa Oliveira, 20 anos, que foi morta a facadas pelo ex-companheiro. O corpo dela e da filha, de apenas 1 mês, foram encontrados no quarto da casa em que elas moravam em Dourados, distante a 221 quilômetros de Campo Grande.

Prevenção

Para a delegada, é necessário que aconteça uma mudança cultural, que campanhas de prevenção e de encorajamento as mulheres se torne rotina. Ela comenta que o número de boletins de ocorrência é expressivo, sendo uma média de 600 por mês, e 350 medidas protetivas só na Capital.

“A pena já é bastante rigorosa, a solução seria a mudança de cultura de nosso país que é machista, o homem se casa e se sente dono da mulher, portanto a trata como sua propriedade”, comenta a delegada, ressaltando que isso não deveria acontecer.

No Estado a Subsecretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, busca ajudar mulheres que se encontram numa relação abusiva ou violenta, com serviços especializados. No interior os CAM/CRAM, CRAS e CREAS atendem mulheres em situação de violência e violação de direitos.

A DEAM em Campo Grande fica na Rua Brasília, no bairro Jardim Ima, o telefone é o 3314-7549. Para informações  serviços: Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (24h, todos os dias, podendo a denúncia ser anônima).

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