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Campo Grande

28/08/2017 07:00

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Grávida é mandada pra fora do hospital com dor, tem parto normal forçado e morre

Aos 29 anos, ela teria indicação de cesariana devido à gestação de risco, mas acabou morrendo

Aos 29 anos, Glaucia Benta Portilho estava radiante. Mesmo se preparando para ser mãe do quinto filho e enfrentando uma gravidez de risco, ela posou sorridente para as fotos no chá de fraldas do menino Keven Gabriel.  Como os vários casos que narramos aqui, o sonho foi interrompido pela dor.

Glaucia morreu no sábado (26) após um parto normal, onde foi preciso lhe tirar o útero. A hemorragia foi tão forte que ela não resistiu. O caso aconteceu no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul no dia 25 de agosto.

Agora, a família está indignada. Seria só um caso de parto natural onde as complicações não tiveram um desfecho feliz, porém, para a irmã, é um caso de negligência médica. Além do bebê Kevin Gabriel, Glaucia deixou outros quatro filhos.

“Ela estava fazendo todo o acompanhamento, a equipe médica sabia que a Glaucia não poderia ter um parto normal que ela tinha diabetes, pressão alta e com hepatite e estava acompanhando, era uma gestação de muito risco e não tinha que chegar ao caso de deixar ela entrar em trabalho de parto”, contou a irmã Deise Portilho.

Segundo Deise Portilho, a situação que gera suspeita de negligência se comprova pelas várias idas da gestante ao Hospital Regional. “Foram três semanas indo lá e mandavam ela de volta para casra, eles internavam minha irmã e chegava a noite e não baixava a pressão nem a glicose e ainda assim davam alta. Quando foi na quarta-feira ela chegou a ir lá, mas mandaram ir embora e se sentisse dor voltar. Ela entrou em trabalho de parto, internou de madrugada, o bebê nasceu e complicou tudo”, conta sobre o óbito da irmã.

Sem acreditar no que aconteceu, Deisei ainda fala da irmã no presente. “Eles mandam ela de volta para casa, ela estava mal e só voltar se sentisse dor de parto. Aí ela está com a diabetes alta e pressão alta, esperaram ela ter contrações”, revoltou-se.

A família agora quer procurar saber sobre o atendimento não prestado. E vai pedir o prontuário médico de Glaucia. “Qualquer um que ver o prontuário médico dela, vai ver. Ela precisava da cesariana”.

Grávida de 40 semanas, a prima de Glaucia, Isleide Portilho também se revolta. “Estamos abalados porque nós sabíamos que era de alto risco a gravidez. Ela até chegou ir um dia no Regional, era aonde estava fazendo o tratamento, mas não quiseram fazer cesária, mandaram pra casa. Quando a bolsa estourou e já teve hemorragia tiraram o útero dela, e mesmo assim não parava”, conta a prima bastante abalada.

“Logo depois ela teve derrame cerebral. Morreu, deixou cinco filhos e o bebê está internado na incubadora. Mas como fica a família?”, questiona.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde assim que tomou ciência do caso, porém até o fechamento da reportagem não foi enviada resposta.

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