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Saudade que fica

A dor de quem ficou: irmãs de Gabrielly agora só dormem com a mãe e pai fica em colchão na sala

Meninas evitam entrar no quarto que dividiam com a irmã que partiu

13 dezembro 2018 - 19h00Por Dany Nascimento

A saudade fica cada dia maior na casa da família de Gabrielly Ximenes, de 10 anos, que morreu na última semana, dias após ser espancada na saída da escola, no bairro Nova Lima, em Campo Grande. De acordo com o pai da criança, Carlos Roberto Costa de Souza, a irmã mais velha de Gabrielly, Michelly, não consegue mais dormir na cama que dividia com a irmã.

“Elas sempre dormiram juntas, tinham o quartinho delas, dividiam uma cama de casal. Agora minha filha não consegue mais dormir lá, ela está dormindo com a mãe dela. Minhas duas filhas agora passaram a dormir com a mãe. A falta dela ficou maior ainda agora, que todos os nossos familiares foram embora”, diz o pai.

Enquanto as duas filhas dividem a cama com a mãe, Carlos dorme na sala. “Eu estou dormindo em um colchão de solteiro aqui na sala de casa. Não quero dormir no quartinho dela também não, é melhor ficar aqui mesmo na sala e deixar o quartinho dela do mesmo jeitinho”.

Ele destaca que, após oito dias da partida de Gabrielly, tudo continua como ela deixou. “O quarto está do jeitinho que ela deixou. As roupas dela dentro do guarda-roupas continuam igual, não mexemos em nada que era dela. Tudo está no lugar, não conseguimos mexer em nada”.

Segundo o pai, a família evita entrar no quarto que pertencia a filha que partiu. “Minhas duas filhas evitam entrar lá no quarto dela, eu também evito. Mas está tudo lá, como ela deixou. Temos que tentar levantar a cabeça para a vida não parar, infelizmente a minha filha não vai voltar mais e, aos poucos, vamos voltando para a rotina do dia a dia, claro que nunca mais vai ser igual, vou sentir saudade para sempre”.

 O caso

Gabrielly Xinemes teria sido espancada perto da escola por uma criança de 10 anos e outras duas meninas de 14 anos, há duas semanas, na Capital. A família teria acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a criança foi atendida na Santa Casa de Campo Grande. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, Gabrielly passou por exames e nenhuma lesão foi constatada.

Em casa, a menina começou a reclamar de dores na virilha. Ela foi levada para uma Unidade de Saúde, em seguida par ao CEM. “Colocaram uma tala na perna dela, mas ela sentiu mais dores ainda. A dor era na virilha e não na perna. Chegou um momento, que minha filha começou a ficar muito febril e não andava mais, daí levamos ela novamente na Santa Casa”, conta o pai.

A menina deu entrada na Santa Casa, passou por exames, que constataram que a menina estava com artrite séptica (infecção no líquido e tecidos de uma articulação, geralmente causada por bactérias, mas ocasionalmente por vírus ou fungos). Ela passou por cirurgia, teve quatro paradas cardiorrespiratórias e não resistiu. 

Carlos Roberto, pai de Gabrielly Ximenes, de 10 anos, declarou que a porta de casa está aberta para conversar com as famílias das meninas que agrediram a sua filha. Carlos diz que a única coisa que quer no momento é esclarecimentos quanto ao assunto.