Três meses após perder o filho Levi durante o parto na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, a mãe, Darlene Maciel, de 27 anos, voltou a cobrar justiça e melhorias no atendimento prestado às gestantes na unidade. Em vídeo recente, ela relembrou a dor que viveu no dia 27 de julho e pediu que o caso não caia no esquecimento, especialmente após a recente morte de outro bebê no mesmo hospital.
“Eu fui uma das mães que perdeu o filho na Maternidade Cândido Mariano por demora no atendimento. Cheguei com contrações por volta das 3h30 e já tinha uma recomendação médica para fazer cesariana, porque nas minhas duas gestações anteriores eu tive complicações e sofrimento fetal. Mesmo assim, eles insistiram em fazer toque atrás de toque, a cada 10, 15 minutos, sendo que eu já tinha deixado claro que o parto seria cesárea e eu iria fazer laqueadura”, conta.
Segundo ela, Levi estava saudável e todos os exames indicavam que a gestação corria normalmente. “Meu filho estava perfeito, com 3,2 kg e 52 centímetros, mas demoraram demais para fazer o parto. A médica chegou a dizer que eu era a paciente da cesariana, mas mandou esperar a troca de plantão, entre 6h e 7h da manhã. Foi uma espera dolorosa e desnecessária”, relembra.
Durante esse tempo, Darlene afirma que passou por fortes dores e chegou a perceber que algo estava errado. “Eu comecei a sentir uma dor fora do normal, que não passava. Não era mais dor de contração. Eu gritava de dor e ninguém fazia nada. Meu marido ficou desesperado. Só por volta das 8h e pouco é que me levaram para o centro cirúrgico”, disse.
No centro obstétrico, o sofrimento continuou. “Eu ainda tive que esperar uns 15 minutos pela anestesista. Quando finalmente começaram, a médica constatou sofrimento fetal. Meu filho nasceu, mas eu não ouvi o choro. Ela começou a contar, pedir adrenalina... e eu entendi que algo grave estava acontecendo”, diz emocionada.
Levi nasceu morto e o laudo médico apontou parada cardíaca, sofrimento fetal agudo e descolamento de placenta oculto como causas da morte. Darlene também sofreu uma hemorragia intensa e precisou retirar o útero. Dias depois, foi diagnosticada com trombose.
“Além de sair de lá sem o meu filho, eu perdi meu útero e quase perdi a vida. Tudo porque demoraram para atender, porque esperaram a troca de plantão. Nem ultrassom fizeram. Era só toque, toque, toque. Isso não é atendimento, é descaso”, critica.
Em outro trecho do vídeo, Darlene critica a forma como pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) são tratadas. “Parece que porque o atendimento é pelo SUS, acham que podem tratar a gente como se fosse menos gente. Até animal tem tratamento melhor. A maternidade recebeu verba para melhorar o atendimento, mas o que mudou? Nada mudou”, afirma.
A mãe também demonstrou solidariedade a outras mulheres que passaram por situações semelhantes na mesma unidade. “Eu desejo força para todas as mãezinhas que perderam seus filhos lá. A gente precisa ir para cima, cobrar, porque essa maternidade não pode sair impune. Está virando um açougue”, completa.
Darlene e o marido, Erick de Oliveira Souza, afirmam que vão acionar a Justiça e esperam que os casos sejam investigados com rigor. “Meu filho não volta mais, mas quero justiça. Que nenhuma outra mãe precise passar pelo que passei”, disse.







