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Campo Grande

há 2 semanas

Choro de duas mães e silêncio da prefeitura: saúde de Campo Grande coleciona tragédia com crianças

João Guilherme e Hannah morreram após várias idas a UPAs e postos de saúde

Duas crianças, idades parecidas e histórias diferentes, unidas pela mesma tragédia: a falta de atendimento em UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) em Campo Grande. Os pequenos campo-grandenses João Guilherme Jorge Pires, de apenas 9 anos, e Hannah Julia Romeiro Nolasco, de 8 anos, morreram em abril de 2026 e as famílias cobram respostas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

O falecimento dos dois ocorreu de forma parecida. Nas duas situações ocorridas no começo e no final de abril, os dois passaram mal e foram levados mais de duas vezes para postos de saúde e UPAs, passando por vários atendimentos sem solução ou uma medicação adequada, o que as famílias chamaram de negligência médica.

João começou a passar mal após cair no dia 2 de abril, sendo levado para UPA Universitário e liberado apenas com medicação para dor. Mesmo com a persistência e agravamento dos sintomas, incluindo dores no peito, ele continuou sendo atendido e liberado em várias unidades de saúde, como a UPA Tiradentes.

O caso se agravou ainda mais e o menor faleceu na madrugada do dia 7 de abril, após ser reanimado e levado para a Santa Casa.

Hannah apenas não caiu, mas também peregrinou com a mãe em desespero até a UPA Leblon e o CRS (Centro Regional de Saúde) Coophavila II. Ela começou a passar mal no dia 24 de abril, apresentando febre alta e sintomas gripais.

Ao passar pelo CRS Coophavila II, ela fez exame de sangue e recebeu encaminhamento para medicação intravenosa. Porém, devido à lotação no setor de medicação, a família acabou retornando para casa após administrar dipirona com autorização médica.

Nos dias seguintes, Hannah apresentou melhora momentânea, mas voltou a piorar na segunda-feira (27), com tosse intensa e vômitos. Na UPA Leblon, conforme a família, um médico diagnosticou influenza e receitou medicamentos, orientando repouso domiciliar.

Na terça-feira (28), o estado da criança se agravou. Hannah passou a apresentar vômitos constantes, lábios arroxeados, palidez e dores pelo corpo. A mãe retornou à unidade de saúde, onde uma pediatra solicitou novos exames e medicação. Mesmo assim, após o atendimento, a menina foi liberada novamente.

Horas depois, durante a madrugada, a situação ficou ainda mais grave. A mãe relatou ao TopMídiaNews que Hannah reclamava de dores na nuca, braços e pernas, além de não conseguir dormir. Na terceira ida à UPA Leblon, segundo a mãe, a filha já estava extremamente debilitada.

A família afirma que houve demora no atendimento e dificuldade para conseguir medicação e vaga para observação. Em determinado momento, Hannah teria começado a sofrer falta de ar enquanto ainda aguardava atendimento adequado.

“Ela puxou o ar e não achou. Virou o olhinho e endureceu nos meus braços”, relembrou a mãe. A criança foi encaminhada para a emergência já em parada cardiorrespiratória, mas não resistiu e faleceu.

Nos dois casos, a prefeitura emitiu apenas uma nota básica, encaminhada via e-mail, baseando-se na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) para não passar informações a respeito dos casos. Detalhando que "os fatos são devidamente apurados, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos, entre outros".

Enquanto isso, as famílias de João Guilherme e Hannah seguem sem respostas, sentindo a dor do luto e tentando reaprender a viver sem os pequenos dentro de casa.  

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