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Campo Grande

Indígenas protestam na Capital pela manutenção de direitos na gestão Bolsonaro

Manifestantes chamam atenção para o crescimento da intolerância e descaso contra comunidades tradicionais

31 janeiro 2019 - 17h02Por Amanda Amaral e Nathalia Pelzl

Acontece simultaneamente em Campo Grande, outras capitais do Brasil e até fora do país, o ato ‘Sangue Indígena, nenhuma gota a mais’, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), apoiado pela Mobilização Nacional Indígena (MNI). Na Capital de Mato Grosso do Sul, o protesto é realizado na Praça Ary Coelho, Centro, com mais de 100 participantes.

Parte da Campanha Janeiro Vermelho, o manifesto é pela manutenção dos direitos das etnias indígenas brasileiras, hoje com 900 mil pessoas cadastradas pela Funai (Fundação Nacional do Índio). Na praça, o ato é pacífico e com a presença de povos Terenas, Kinikinawas, Ofayés e Kadiwéus.

A ideia do movimento é conscientizar e mobilizar sociedade sobre os direitos dos povos indígenas e reivindicá-los. Entre eles, combate à violência, contra a transferência da Funai para a pasta da Mulher, transferência da responsabilidade sobre a demarcação de terras ao Ministério da Agricultura.

A professora Evelin Hekere Terena, que atua no Centro Estadual de Formação dos Povos Indígenas em Mato Grosso do Sul e uma das representantes do movimento feminista indígena, diz que o momento político pede mais atenção nessas questões. “Esse movimento tem que ser contínuo, com a nova gestão, as minorias tendem a sofrer mais. Na verdade, o tempo do arco e flecha já passou, agora é hora de requerer as coisas através da caneta e papel”, analisa.

Ela observa que o preconceito contra os povos tem sido mais claro nos últimos tempos. “Na verdade, não é que antes havia menos preconceito, antes ele estava escondido no armário, esperando pessoa posição de poder, [se referindo ao presidente Jair Bolsonaro], demonstrar e dar visibilidade à discriminação”, opina.

Apoiadores da causa também somaram ao movimento. “O povo indígena tem dignidade, até porque esse é um país indígena, eles foram expulsos de algo que era deles”, disse Dorzila Schweiger.

Larissa Mendes, 23 anos, afirma que tenta demonstrar apoio como pode, apesar de não fazer parte do grupo discriminado. “Como branca, tento apoiar de todas as formas possíveis, por não sofrer na pele os preconceitos. Sobre Bolsonaro, é um retrocesso, foram anos de luta pra conseguir direitos e é tempo de se unir para não perde-los”, afirmou.

O vereador indígena Otacir Pereira Figueiredo (Pros) afirmou que outras pessoas do interior do estado devem somar à mobilização até o fim desta quinta-feira (31). “É preciso que se tenha respeito pela população indígena, evitar o retrocesso da nova gestão, não tem que haver municipalização da saúde indígena, entre outras coisas”, finalizou.

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