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Origem - entregas

Já comprou ‘queijo plástico’? Em Campo Grande, golpe tem recorde de vítimas

Centenas de clientes relatam frustração após caírem na lábia de vendedor e até crianças com histórias comoventes

23 MAI 2019
Amanda Amaral
17h00min
Foto: Reprodução/Facebook

Imagine pagar por um alimento, prová-lo antes para ter certeza que vale a pena, mas ao consumir o produto que levou para casa se surpreender com um sabor de... plástico. Essa história se repete há anos seguidos em Campo Grande e consiste na venda de queijos falsos por um homem de meia idade, com a ajuda de crianças.

Os locais de praxe são estacionamentos de supermercados da Capital, onde os vendedores se aproximam de clientes oferecendo queijo e goiabada, que custam entre R$ 20 e R$ 30. Para conquistar a freguesia, entregam um pedaço verdadeiro como prova do sabor caseiro e de qualidade, mas que não se confirma nos itens vendidos.

As denúncias começaram a surgir no grupo de Facebook ‘Aonde Não ir em Campo Grande’, em março deste ano, mas as vendas aconteceriam há ao menos um ano. Até hoje, novas vítimas surgem nos comentários da publicação, reclamando de um 'queijo' nada apetitoso e que não derrete.

“Comprei de um menino de uns 12 anos mais ou menos, no Fort das Moreninhas, pensa num menino bom de papo, esse tem verdadeiro dom para o golpe. O requeijão tinha gosto de queimado, um mingau de amido de milho duro”, conta uma mulher que adquiriu os produtos.

“E coloca um menino, simpático com produtos de verdade para fazer demonstração. Um dia estávamos jantando em um estabelecimento e ele nos abordou. Fizemos o pedido e o menino foi buscar no carro, [mas] um senhor que já havia caído no golpe nos alertou, então dispensamos e o menino, antes educado, se transformou e começou a xingar o senhor. Falamos que se o produto dele fosse bom, não estaria passando por aquilo. Se eu o ver de novo, chamo a polícia, estelionato, exploração de menor”, revoltou-se outra vítima.

“[...] Eu vi que era um Fiat Uno também, pelo que estou vendo trata-se da mesma pessoa. Ele disse que era de Sidrolândia e fornecia o produto para o Fort Atacadista ofereceu queijo, queijo muçarela e doce por R$ 70, como não me interessei em levar, inclusive estava com meu esposo, ele até abaixou por R$ 20. Por solidariedade, acabamos comprando, ele estava abordando outras pessoas no estacionamento no sábado à tarde. Esses também são corruptos que usam da bondade das pessoas para se darem bem. Eu quero notícias para saber onde ele está, fiquei muito indignada, o queijo nem sabor tem, estou com os produtos ainda”, conta outra mulher em um dos mais de 420 comentários na denúncia.

Alerta

A população precisa ficar esperta quanto às fraudes em alimentos, que são alterações, adulterações e falsificações realizadas com a finalidade de obtenção de maiores lucros. A prática é crime e está no artigo 272 do Código Penal.

A lei determina que corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a consumo, tornando-o nocivo à saúde ou reduzindo o valor nutritivo sujeita o infrator a pena de reclusão de quatro a oito anos e multa.

Consumidores que se sentirem prejudicados e perceberem indícios de fraude devem entrar em contato com o fabricante ou produtor artesanal informando o ocorrido, além de recorrer à vigilância sanitária.

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