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Mãe denuncia espancamento do filho em Unei e lamenta demora na apuração: 'hematomas somem'

Caso teria ocorrido na Unei Dom Bosco, região leste de Campo Grande

2 ABR 2019
Thiago de Souza
07h00min
Foto: Reprodução TV Guanandi

Zeladora de 36 anos denuncia que o filho de 17 anos, internado na Unidade Educacional de Internação Dom Bosco, em Campo Grande, foi vítima de agressões por parte de funcionários, em duas ocasiões. Ela diz ter procurado as autoridades, mas que tem dificuldades em provar, já que os hematomas desaparecem dias depois.

A mãe relatou que o adolescente, que aqui será chamado de ‘’Vicente’’, inicialmente foi internado na Unei Los Angeles e, nos dois meses que passou por lá, não teve problemas maiores. No final de fevereiro, ele foi transferido para a unidade na saída para Três Lagoas.

''Logo que chegou, o diretor teria dito que logo ele seria transferido para outra cidade'', diz a zeladora.

A denunciante acrescenta que, na primeira visita que fez para o filho na nova unidade, ele já estava em uma ''cela’’ disciplinar, chamada ''castigo''.

''O motivo é que ele estava no Fórum, uma quarta-feira - e ele estaria com uma barra de ferro, mas os menores (colegas) explicaram que o ferro não seria dele, mas mesmo assim ficou no castigo''.

As agressões, diz a mãe, teriam ocorrido por conta de um buraco achado dentro do quarto ocupado por mais dois adolescentes.

''Somente meu filho foi para a delegacia ''assumir'' a responsabilidade pelo buraco", relatou a mulher.

Vicente contou a mãe que os menores foram levados um por um para uma sala. ''Na hora que eles [funcionários] chegaram, deram murro, cotovelada e soco no rosto, que ficou roxo'', detalhou a mãe.

Em outra agressão, a mais recente, a zeladora conta que os garotos brincavam de atacar chinelos uns nos outros, quando um funcionário viu Vicente arremessar o calçado e foi agredido.

''Ele [funcionário] foi bater no rosto, mas meu filho colocou a mão para se proteger e atingiu o braço, que também ficou roxo'', relata mais uma vez.

Além das agressões físicas, a mulher conta que se sente intimidada durante as visitas, já que os funcionários supostamente ficam muito próximos a eles e ouvem as conversas.

Outras formas de intimidação, na versão da denunciante, são ameaças de transferência e anotações na ficha do interno com os dizeres ''Jack'' e ''Cagueta'', que na gíria dos criminosos significa, respectivamente, estuprador e ''dedo duro'' ou delator. Neste caso, o objetivo seria fazer com que os demais internados agridam ou até mesmo tirem a vida do menor.

A mãe garante que sua versão das agressões é embasada com o relato de outros adolescentes.

Ajuda

Para a mãe, o sofrimento continua ao procurar ajuda das autoridades. Ela relata ter ido ao Fórum de Campo Grande, no entanto não consta registro de pedido de providências, segundo a assessoria do local.

A mulher conta que foi orientada a procurar a Defensoria Pública para denunciar o caso e também o Conselho Tutelar. A Defensoria Pública foi questionada, prometeu retorno, mas ainda não o fez.

''A Defensoria demora e as marcas desaparecem'', critica a denunciante.

Sejusp

Entramos em contato com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, que informou que a Superintendência de Medidas Socioeducativas abriu procedimento para apurar os fatos. Mas fez questão de ressaltar que até o dia que o site fez o questionamento, o órgão não havia recebido nenhuma denúncia sobre esse caso.

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