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Cidades

30/09/2017 18:57

Bailarina acusa professor de dança de Campo Grande de assédio sexual

Em relato nas redes sociais ela afirmou que era obrigada a ter relações sexuais para poder dançar em companhia

A  bailarina Cissa Nogueira, que já morou Campo Grande e que dançou com o coreógrafo Tom Brasil, usou as redes sociais para acusá-lo de assédio sexual. Ela alega que ele teria usado de ameaças de afastá-la da companhia que dançava caso não aceitasse ter relações sexuais com ele, inclusive sem uso de preservativo.

O longo relatou contou sobre a série de assédios, que segundo Cissa, teriam começado em 2010 quando ela virou bolsista na academia do professor onde participava de shows, programas de TV e outras atividades. “Qualquer coisa que surgisse”, afirma.

“Nesses dois anos fui abusada sexual, profissional, financeira, moral e psicologicamente. Eu e muitas outras meninas que passaram pelos seus “ensinamentos”. Durante esse período, dediquei quase 100% da minha vida aos compromissos com a academia. Estava presente em todas as aulas, saía para todos os cantos da cidade pra fazer divulgação além de me dedicar fortemente em defender o nome da escola por onde eu passasse”, afirmou na postagem.

Sonho que virou pesadelo

Segundo ela, foram ofertadas várias possibilidades de realizar seu “sonho de dançarina. Tudo muito lindo para alcançar meus objetivos, já que eu era uma dançarina “com muito potencial”. Mas isso tudo tinha um preço: sexo. Eu tinha que transar para subir no palco. Eu tinha que transar sem camisinha porque “camisinha é muito ruim”. Se eu não transasse, no dia seguinte misteriosamente, eu era substituída em uma coreografia, ou num show, ou era dispensada de um ensaio. Um castigo leve de uma semana, mais ou menos”, continuou acusando, afirmando que devido a esse comportamento do professor ela teria tido várias doenças sexualmente transmissíveis.

“Meu celular era vasculhado. Se existisse qualquer vestígio de outra relação eu era chamada de puta. Assim, de graça mesmo. Eu só podia transar com ele. Não sei quantas vezes, durante esse período, eu precisei fazer tratamento ginecológico. Umas sete, pelo menos”, continuou narrando ainda que era violentada psicologicamente quando tinha relacionamentos com outras pessoas.

Mudança

Cissa disse que só começou a mudar tudo quando, desconfiada de uma gravidez, mais uma vez foi acusada de estar tendo outros relacionamentos e foi ofendida com nomes de baixo calão. “Nesse dia ele apanhou da minha raiva. Ele apanhou da minha indignação, do meu medo e do meu nojo. Esse abuso só acabou quando comecei a namorar”.

Foi aí que ela teria sido expulsa da companhia e acabou mudando de cidade para fazer faculdade em Brasília.

Apesar de saber que pode ser acusada de mentir, mas que falar sobre o assunto é uma libertação. “Eu não queria ter demorado tanto a falar sobre isso, mas ainda é muito difícil. A culpa e o medo que cerca esse meu discurso as vezes pesa mais do que a vontade de falar e sanar injustiças. São poucas pessoas que sabem dessa história e hoje eu quero que todo mundo fique sabendo. Ainda com medo, ainda com vergonha”, desabafou.

“A gente precisa entender que essa vergonha não nos pertence... não é nossa. Não foi culpa minha nem sua. Não tenha medo de falar, de gritar, não tenha mais vergonha disso. Não teremos. Não é justo que ele saia impune deixando esse trauma em mim. Não é justo comigo, não é justo com ninguém mais que tenha sofrido o mesmo. Não é justo”, finalizou.

O relato foi compartilhado por pelo menos 200 pessoas até o fechamento desta reportagem. Entre os comentários, muitas mulheres também afirmaram saber que os abusos aconteciam.

A postagem está em modo público e pode ser vista aqui.

Outro lado

O músico Tom Brasil foi procurado pela reportagem por telefone e via mensagem nas redes sociais porém não foi possível o contato. A redação está à disposição para que ele possa dar a versão dele. 

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