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Dois anos e meio: Wesner deixava de comer para colecionar carrinhos e sonhava em ajudar família

Menino morreu após ter uma mangueira de pressão introduzida no ânus, em um lava-jato, em Campo Grande

5 JUL 2019
Nathalia Pelzl
11h10min
Foto: Wesley Ortiz

Menino sonhador, de coração puro, inocente e que desejava ajudar a melhorar a condição financeira da família, assim era Wesner Moreira da Silva, morto após ter uma mangueira de pressão introduzida no ânus, em um lava-jato em Campo Grande.

À época, com 17 anos, o sonho dele, segundo a mãe, Marisilva Moreira, de 47 anos, era entrar no quartel. Carinhoso e cuidadoso, uma das coisas que ele mais gostava era comprar carrinhos.

“Ele amava carrinhos e fazia coleção, deixava de comer lanche para comprar os brinquedos. Eu brincava e falava para ele: 'menino, agora você vai comer o carrinho'”.

Mari lembra que, quando foi informada que o filho havia sido levado para o hospital, não imaginava que ele teria sido vítima de tanta crueldade.

“Não imaginava o que seria, achei que teria quebrado um braço. Eu ainda perguntei para o menino que me levou, o Thiago, o que tinha acontecido e ele se negava a contar, disse que eu saberia no hospital. Quando desci do carro, o Willian veio, só que como eu já tinha avisado para ele não mexer com o Wesner, só levantei a mão para ele não tocar em mim”, relata.

Já no hospital, Mari conta que orava a Deus a todo momento para que o filho estivesse bem e, mesmo quando foi informada que ele havia perdido parte do intestino, agradeceu por ele estar vivo.

(Foto: Wesley Ortiz)

“Só de saber que ele estava vivo, a dor ficou pequenininha, a hora mais difícil foi ver ele no outro dia. Eu não reconheci meu filho, ele estava enorme, cheio de aparelho. Aos poucos, ele foi se recuperando, subiu para o apartamento e voltou para CTI diversas vezes. Ainda falei assim para ele, quando estava melhor: 'menino, vai me matar do coração'. E ele me respondeu: 'que nada, mãe, a senhora é forte'”.

Indignação e revolta, esses foram os sentimentos que a mãe de Wesner diz ter sentido quando o filho contou o que aconteceu.

“Foi muita crueldade, maldade. Eu só queria trocar de lugar com meu filho, falava pra Deus que eu já tinha vivido tanto e meu filho ainda não tinha realizado os sonhos”, desabafa.

Se preparando para encarar os envolvidos, Thiago Giovanni Demarco Sena e William Henrique Larrea, 23 e 33 anos, no dia do júri, ela conta que vai perguntar o motivo de terem feito isso com Wesner.

“Eles falaram que era brincadeira, só que brincadeira não mata. Eles fizeram por maldade, tenho certeza que foi tudo combinado, depois que acontece, a gente vê que foi planejado entre os dois. Eles têm que pagar, eu tenho esse pedido do Wesner comigo. Agora, chegou a hora, Deus está preparando tudo. Não vai ser fácil olhar para quem matou seu filho, só que vou pedir muita força pra Deus. Eu quero olhar para eles e perguntar o motivo de tanta maldade com um inocente que só queria cuidar da mãe e da família ”, finaliza.

(Foto: Wesley Ortiz)

Júri

A maior alegria dela foi a decisão de que os assassinos serão levados a júri popular. Os desembargadores da 2ª Turma Criminal decidiram que há provas e indícios suficientes de autoria para os acusados serem levados a júri.

A data e as qualificadoras do crime devem ser definidas pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Carlos Alberto Garcete. Não há prazo para essa nova determinação.

O crime

No dia 3 de fevereiro de 2017, Thiago Giovanni Demarco Sena e Willian Henrique Larrea seguraram Wesner e enfiaram a mangueira de um compressor no ânus da vítima.

O fato causou ferimentos graves no adolescente, que chegou a ficar uma semana internado em um hospital, mas não resistiu às complicações do ferimento e morreu.

A Justiça determinou que os acusados Willian Henrique Larrea e Thiago Giovani Demarco terão que pagar um valor mensal à família de Wesner no valor de R$ 636. 

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