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domingo, 20 de setembro de 2020
Cidades

Para família, negligência médica contribuiu para morte de Gabrielly tanto quanto agressões

Além disto, pais reforçam que escola foi omissa sobre espancamento

06 junho 2019 - 09h05Por Nathalia Pelzl

Com o processo rolando em segredo de Justiça, os pais de Gabrielly Ximenes, morta em dezembro do ano passado após apanhar na saída da Escola Lino Villachá, no bairro Nova Lima, confiam na Justiça divina e reforçam que a morte foi provocada por uma série de erros.

Questionados, eles pontuam que gostariam de acompanhar o caso e que nem advogada conseguiu senha para acessar os autos do processo.

O pai Carlos Roberto Costa de Souza, 40 anos, destaca que a advogada está correndo atrás, porém está de ‘mãos amarradas’.

“A gente fica revoltado porque a Justiça até agora nada, é lenta. Nossa advogada está correndo atrás. Estamos até sem a senha para acompanhar processo, não querem liberar pra gente nem pra advogada. Estamos com as mãos amarradas”.

Segundo a família, a dor é maior ainda devido à falta da procura da escola, família e até mesmo o hospital que Gabrielly ficou internada. Eles acreditam que, além das agressões, as negligências, médica e escolar, contribuíram para o óbito de Gaby.

“Quando levei ela, os médicos ao invés de atender ela, eles foram discutir. Um falava que era apendicite, outro falava de infecção no quadril. Alguns médicos falaram que era manha. Você está vendo que seu filho está morrendo. Passava toda hora médico, mas não teve um que parou pra ver o que era. Fiquei de 13h até às 18h pra atenderem. Passou uns cinco médicos por ela”, revela a mãe, Beatriz Ximenes, de 39 anos.

Os pais da criança são enfáticos em dizer que não querem nada além da Justiça. De acordo com eles, a pena justa seria para as meninas envolvidas nas agressões e também para os médicos que atenderam a criança no hospital.

“Se os médicos descobrissem no primeiro atendimento e fizessem o que teria que ser feito, ela estaria aqui. Não queremos dinheiro de ninguém, queremos que a justiça seja feita, as agressoras paguem, e se o juiz achar que os médicos também tiveram culpa, que eles percam o direito de exercer a profissão”, finaliza Carlos.

Laudo

Em fevereiro deste ano, a  delegada da DEAIJ (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), Ariene Murad, confirmou que a menina Gabrielly  foi em decorrência das agressões, na escola Lino Vilachá, localizada no bairro Nova Lima, em Campo Grande.

“O laudo conclui que a causa da morte foi tromboembolismo pulmonar provocado por artrite séptica. Temos um laudo do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, um laudo de necropsia que o perito fez exame anátomo patológico, onde cinco órgãos foram analisados. Ficou pronto após dois meses e meio da morte da criança porque requer muitos detalhes. A criança só morreu porque houve trauma”, diz a delegada.

O caso

Gabrielly Xinemes  foi espancada  na saída da escola por uma criança de 10 anos e outras duas meninas de 13 anos. A família teria acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a criança foi atendida na Santa Casa. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, Gabrielly passou por exames e nenhuma lesão foi constatada.

Em casa, a menina começou a reclamar de dores na virilha. Ela foi levada para uma Unidade de Saúde, em seguida par ao CEM e depois para Santa Casa, onde passou por exames, que constataram a artrite séptica (infecção no líquido e tecidos de uma articulação, geralmente causada por bactérias, mas ocasionalmente por vírus ou fungos). Ela passou por cirurgia, teve quatro paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.

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