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Assessora de Bolsonaro recebeu R$ 17 mil da Câmara desde revelação de que era fantasma

Bolsonaro a manteve no cargo até esta segunda (13), quando anunciou a demissão da funcionária

14 agosto 2018 - 10h40Por Folha de São Paulo

De janeiro a julho deste ano, Walderice Santos da Conceição recebeu R$ 17.240 como funcionária do gabinete do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na Câmara dos Deputados. Reportagem da Folha publicada em 11 de janeiro revelou que ela era servidora fantasma do deputado, trabalhando na verdade como vendedora de açaí em uma praia de Angra dos Reis (RJ), onde o parlamentar tem uma casa.

Estabelecimento onde trabalha, em horário de expediente na Câmara, a assessora do presidenciável (Foto: André Landau)

Apesar da revelação no começo do ano, Bolsonaro a manteve no cargo até esta segunda (13), quando anunciou a demissão da assessora depois que a Folha voltou ao local e mostrou que Walderice continuava vendendo açaí na hora do expediente da Câmara. O total recebido desde janeiro corresponde ao salário mensal de R$ 1.416 reais brutos, ao adicional de férias pago em janeiro no valor de R$ 450 reais e aos auxílios de R$ 982 por mês.

Além disso, em junho aparece no contracheque da funcionária um adiantamento de gratificação natalina sem valor especificado. No começo da noite passada, Bolsonaro confirmou a demissão de sua funcionária em entrevista e disse que o "crime dela foi dar água para os cachorros". "Eu cheguei em Brasília hoje e ela tinha se demitido. Por coincidência a Folha estava lá de novo", disse. O caso voltou à tona no debate entre os presidenciáveis realizado pela TV Bandeirantes na última quinta (9).

O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, perguntou a Bolsonaro "quem é Wal?". A secretária figura desde 2003 como um dos 14 funcionários do gabinete parlamentar de Bolsonaro, em Brasília, recebendo atualmente salário bruto de R$ 1.416,33. Segundo moradores da região, o marido dela, Edenilson, presta serviços de caseiro ao deputado.

Depois da reportagem, o parlamentar passou a dar diferentes versões sobre a assessora. Primeiro, disse que buscou o endereço do local e viu que a “casinha” de açaí era da irmã de Walderice. Em outra tentativa de explicar, disse que sua secretária de gabinete estava em período de férias na ocasião em que a Folha visitou o local na primeira vez. Essa foi a versão dada, por exemplo, na resposta a Boulos no debate da Band. "A sra. Wal, sra. Walderice, é uma funcionária minha em Angra dos Reis. Quando a Folha de S.Paulo foi lá em janeiro e não achou, botou manchete no dia seguinte de que ela estaria lá como servidora fantasma. Só que em boletim administrativo da Câmara dos Deputados de dezembro ela estava de férias", disse Bolsonaro no debate.

Na tarde desta segunda-feira (13), a reportagem esteve na loja duas vezes. Na primeira, sem se identificar como jornalista, momento em que o açaí e o cupuaçu foram comprados. Não há nenhum registro de férias de Walderice atualmente. Cerca de 1h30 depois, a Folha voltou e se identificou. A funcionária disse que não tinha nada a declarar sobre o assunto e deu a entender que não queria prejudicar o presidenciável. “Eu não vejo o sr. Jair como vocês veem. O sr. Jair pra mim é uma outra pessoa. O sr. Jair é uma boa pessoa, o sr. Jair é meu amigo, o sr. Jair não é racista, a minha família é toda negra. O sr. Jair não é homofóbico.”