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Bebê com condição rara recebe pele cultivada em laboratório

Dez meses após o parto, finalmente a mãe pôde abraçar e beijar o filho pela primeira vez

11 outubro 2019 - 13h44Por Revista Crescer

Ja'bari Gray, 10 meses, do Texas, nos Estados Unidos, nasceu no início deste ano com as pálpebras, as mãos e os pés deformados e sem pele, exceto na cabeça. Os médicos do Hospital Infantil Metodista internaram o bebê na UTI e disseram aos pais, Priscilla Maldonado, 25, e Marvin Gray, que não havia mais nada que eles pudessem fazer. Mas o casal se recusou a aceitar e, após uma longa batalha com sua companhia de seguros, conseguiu que o filho fosse transferido para o Hospital Infantil do Texas, em Houston.

Lá, o bebê recebeu uma nova pele que foi cultivada para ele em um laboratório de Boston, especializado em vítimas de queimaduras. Depois de 10 meses, foi a primeira vez que os pais puderam, finalmente segurar e tocar no filho. "Agora podemos beijá-lo, tocá-lo e fazer todas essas coisas", disse a mãe ao KTRK. "Ele pôde vestir seu primeiro conjunto de roupas", completou. "Foi emocionante, porque ele estava chorando, mas assim que eu o peguei, tive o contato pele a pele e o coloquei no meu peito, ele simplesmente parou de chorar", conta, emocionada.

Segundo ela, o transplante de Ja'bari é o primeiro do tipo feito em uma criança tão jovem com sua condição. Em uma página no GoFundMe, ela escreveu que não sofreu complicações durante a gravidez até as 37 semanas, quando os médicos notaram que ele não estava ganhando peso. Os médicos decidiram induzir o parto, mas, na manhã do procedimento, a frequência cardíaca de Ja'bari caiu tão rapidamente que uma cesariana de emergência foi realizada. Foi, então, que a equipe percebeu que algo estava errado, pois o menino não tinha pele na maior parte do corpo.

A aplasia cutis congênita afeta cerca de um em cada 10 mil recém-nascidos. A causa é desconhecida, mas os cientistas acreditam que é uma doença genética. No entanto, uma nova equipe médica suspeita que o menino sofra de epidermolose bolhosa (EB), um distúrbio genético raro que causa bolhas na pele, causando feridas suscetíveis a infecções. Que sofre dessa condição não têm colágeno tipo VII — uma proteína que permite que a camada superior da pele se ligue às camadas inferiores.

A condição de Ja'bari melhorou após o transplante de pele. Ele aumentou de peso, não está mais tomando analgésicos e é capaz de respirar por conta própria, informou a KTRK. No entanto, ele ainda deverá passar por uma cirurgia para o reparo das pálpebras, mão direita e pé direito. "Fazendo sons engraçados que bebês normais fariam, ele está interagindo conosco. Mesmo que ele não possa nos ver e outras coisas, ele ainda está interagindo", comemora a mãe.