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Bolsonaro diz que 'é legal' fazer indicações políticas para embaixadas

Presidente ainda questionou a 'pressão em cima' do filho

18 julho 2019 - 13h40Por G1

O presidente Jair Bolsonaro declarou nesta quinta-feira (18) que a lei permite indicações políticas para o comando de embaixadas no exterior e questionou a "pressão em cima" do filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que deve ser indicado como embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos.

Bolsonaro deu as declarações ao sair do Palácio da Alvorada. O presidente já declarou que está definida a escolha do filho para o comando da embaixada, contudo a indicação ainda não foi oficializada.

O presidente voltou a afirmar que o filho tem condições de ser embaixador e questionou a "pressão" contra a escolha.

O Brasil fará uma consulta formal ao governo norte-americano (pedido de agrément), o que é praxe, e a indicação terão de ser aprovada pelo Senado. Além disso, Eduardo precisará renunciar ao mandato de deputado federal.

A escolha de Eduardo, um dos cinco filhos de Bolsonaro, provoca polêmica desde a semana passada, quando o presidente tornou o assunto público. A embaixada em Washington está sem comando desde abril.

Segundo o presidente, a indicação do filho atende ao interesse público, já que facilitará o relacionamento com o presidente Donald Trump.

"Você tem que ver o seguinte: é legal? É. Tem algum impedimento? Não tem impedimento. Atende ao interesse público? Qual o grande papel do embaixador? Não é o bom relacionamento com o chefe de Estado daquele outro país? Atende isso? Atende. É simples o negócio", argumentou.

Escolha política

Bolsonaro também citou, ao defender Eduardo, que outros presidentes fizeram escolhas políticas para embaixadas. Ele deu como exemplo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem critica com frequência. Em 2003, Lula escolheu como embaixador em Cuba o ex-deputado petista Tilden Santiago.

"O Tilden Santiago não foi reeleito em 2002, foi ser embaixador em Cuba, ninguém falou nada", reclamou o presidente.

Deputado federal na legislatura 1999-2003, Santiago concorreu ao Senado, por Minas Gerais, em 2002, mas não se elegeu. Em seguida, foi indicado por Lula como embaixador em Cuba. Ficou no posto até 2006.