TCE Novembro
Menu
domingo, 05 de dezembro de 2021 Campo Grande/MS
CONSTRUINDO O SABER 29/11 A 29/12
Interior

Rodovia estadual ‘engolida’ em chuva custou R$ 123 milhões

13 maio 2016 - 07h50Por Amanda Amaral

Depois do período de chuva intensa na maior parte das regiões de Mato Grosso do Sul nos últimos dias, vários trechos da rodovia MS-180, que liga os municípios de Iguatemi e Juti, cederam e demonstraram a fragilidade da obra. Todo o trabalho de pavimentação em 98,4 km de via tiveram o custo de mais de R$ 123 milhões foram iniciadas em julho de 2013 e entregues, não oficialmente, em dezembro do ano seguinte.

Em dezembro de 2015, o tráfego foi paralisado por vários dias na rodovia também por causa dos danos causados pela chuva.  Com a MS-180 interditada, os motoristas, sobretudo de veículos de carga, tinham que usar como rota alternativa a deteriorada MS-156, entre Caarapó e Amambai, e a também já em estado precário em alguns pontos, “Guaira-Porã”, ligando Sanga Puitã, em Ponta Porã à própria BR-163, em Eldorado, alongando a viagem em mais de 150 quilômetros.

Conforme o site de notícias A Gazeta News, os cerca de 260 milímetros de chuva que caíram entre domingo (8) e segunda-feira (9) na região fez com que uma erosão que se formou às margens da rodovia estadual avançasse em direção a pista na altura do quilômetro 75. Além do incidente na MS-180, a força das águas da chuva também abriu uma cratera e rompeu uma estrada na Rodovia MS-386 que liga Iguatemi a Amambai, na região conhecida como “Ponta do Touro”.

Segundo a página apurou, a rodovia teria recebido tráfego intenso de veículos em período de chuvas no final do ano passado devido o bloqueio da Rodovia BR-163, entre Itaquiraí e Eldorado, devido ao rompimento de um aterro. Com isso, tornou-se frágil e desmoronou.

A prefeitura de Iguatemi divulgou nota sobre a análise feita no local sobre os pontos mais críticos da rodovia, onde foi registrado deslizamento parcial da pista, nos trechos do Km-15, Km-30, Km-44 e Km-46. Nestes locais, formaram-se erosões e crateras nas laterais da pista, que chegam a ter entre cinco e seis metros de profundidade. Estes locais estão sendo monitorados pela Defesa Civil.

Um dia depois do ocorrido, equipes da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimento) se deslocaram para o local para realizar levantamentos visando adotar medidas em relação ao reparo dos danos e ao trânsito no local.

A assessoria de imprensa da Seinfra (Secretaria Estadual de Infraestrutura) disse que a rodovia foi interditada completamente ainda na tarde de ontem (12), depois que placas grandes de sinalização foram entregues. 

Foto: Seinfra 

Obras


Em maio de 2013, um contrato para a execução de obra de implantação e pavimentação de dois lotes que somavam a extensão de 53,740 Km, foi firmado com a DM Construtora de Obras Ltda. Já a Empresa CCB (Construtora Central do Brasil), ficou responsável pelo restante, lotes três e quatro, com extensão de 44,740 Km.

A Seinfra informou que o valor investido soma R$ 123.562.529,23 milhões. A única parte que não ‘ruiu’, como aponta a secretaria, teria sido concluída pela atual gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB).

Auditorias


O secretário estadual de obras, Ednei Miglioli, declarou que providências já estão sendo estudadas para resolver a situação de ‘caos’ instaurada nessa região. “Desde o ano passado, a obra está derretendo, indo embora. Ali nós temos uma somatória de cinco fatores: projeto, execução, excesso de chuva, o tráfego da  163 que num período de 30 dias pode ter contribuído e a questão das águas das propriedades que estão vindo pra dentro da estrada”, afirmou.

Conforme Miglioli, os municípios da região pedem a prorrogação do Estado de Emergência e será contratado um projeto executivo para complementar o que eventualmente não foi anteriormente, principalmente em relação às obras de drenagem.

A secretaria vai contratar uma auditoria até a próxima semana para analisar os responsáveis pela situação, que deverão ressarcir os valores do prejuízo, ainda não contabilizado. “Não tenho como ficar criando contratos para arrumar a rodovia na base da emergência, tenho que fazer projeto definitivo que contemple definitivamente o problema”, declarou.