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Polícia

Empresário deve 'fortuna' em drones e é chamado de golpista em Campo Grande

Suspeito nega crimes e diz que 'deu passo maior que a perna'

18 setembro 2021 - 07h00Por Thiago de Souza

Empresário que vende, compra e dá cursos de pilotagem de drones é acusado de dar golpe em clientes de Campo Grande. As dívidas, segundo denunciantes, somam cerca de R$ 100 mil e o suspeito reconhece que fez uma ‘má gestão’ financeira. 

Conforme uma denúncia, publicada no grupo Aonde Não Ir em Campo Grande, o empresário, que aqui será chamado pelo nome fictício de ‘’Rolando’’, tinha escritório na rua Abrão Julio Rahe  e ofereceu um drone usado, ao valor de R$ 5 mil, na internet

No relato, o cliente diz que comprou o aparelho no final de 2019 e pagou via transferência bancária. Meses depois, Rolando ofereceu um drone de versão mais moderna (Mavic Pró 2). Sendo assim, o comprador devolveria o drone recém-comprado, mais uma diferença de R$ 2.580, além de outra quantia. 

‘’Pesquisei o nome dele e não achei avaliações negativas na internet, por isso confiei’’, observou a vítima. No entanto, o comprador teve problemas de saúde graves em razão de um acidente de trânsito e só foi cobrar a entrega do drone em meados de 2021. 

Ao abordar Rolando, a vítima disse que ele deu diversas justificativas vazias e chegou até a receber um plano de pagamento. Ele recebia comprovantes de depósitos, mas o dinheiro não caía na conta. Houve novas abordagens, mas o cliente ouvia sempre novas promessas. O denunciante diz que o empresário tirou até o nome da empresa da fachada do escritório e nunca mais apareceu presencialmente. 

Além disso, o rapaz deixou outro drone para que Rolando consertasse e nunca mais viu o equipamento. Até o momento, diz a denúncia, Rolando não pagou nem 20% dos R$ 16 mil. Revoltado, o comprador do drone registrou queixa na Polícia Civil.

Assim que a postagem foi feita no Facebook, surgiram pelo menos mais 20 vítimas do empresário. 

Mais vítimas

Em maio deste ano, Jeferson Luiz vendeu um drone usado para Rolando, ao valor de R$ 3,2 mil. Ele entregou o aparelho para o suspeito, que disse que, primeiro, iria analisar o equipamento. 

‘’Daí começou a dor de cabeça... o cara tem muita lábia e ficou me enrolando’’, lamentou Jeferson, ao contar que o dinheiro nunca foi pago. Ele procurou Rolando presencialmente, mas não conseguiu ter o dinheiro de volta nem o aparelho. 

‘’Pensei ate em entrar com advogado, mas vimos que ele já foi condenado a pagar dívidas e não pagou’’, disse Luiz. 

Versão

Procurado por telefone pelo TopMídiaNews, Rolando disse que suas dívidas são fruto de uma estratégia empresarial errada. Ele nega ser um golpista e diz que ‘’trabalha’’ duro para pagar as contas. 

‘’Abri a empresa sem ter capital de giro. Reconheço que dei um passo maior que a perna. Tive problemas com fornecedores e assumi as dívidas’’, diz o suspeito. Questionado se ele não acionou a Justiça para cobrar os fornecedores, ele disse que ‘’acha que é demorado e não sabe mexer com essas coisas’’. 

Processos

Rolando garante que vai pagar todas as dívidas e só precisa de tempo, mas as vítimas dizem que as promessas nunca são cumpridas. 

‘’A calça que eu estou usando aqui é velha. Eu só tenho dinheiro para comer e pagar as contas’’, informou o suspeito. Questionado sobre dois processos cíveis na Justiça e sobre várias reclamações no Juizado Especial de Campo Grande, ele alega que está em negociação com os cobradores.