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Polícia

Ex-prefeito e ex-secretário de Maracaju estão entre os presos na operação sobre desvio de verba

Ex-prefeito Maurílio Azambuja e o ex-secretário Lenilson Carvalo Antunes estão no alvo da operação; Polícia Civil investiga desvio de R$ 23 milhões

22 setembro 2021 - 08h09Por Rayani Santa Cruz

O ex-prefeito de Maracaju Maurílio Azambuja e o ex-secretário Lenilso Carvalho Antunes, que foi candidato a prefeito em 2020, estão entre os presos da operação 'Dark Money', que investiga desvio de R$ 23 milhões dos cofres públicos da cidade durante a gestão dele. Eles tiveram mandados de prisão temporária cumpridos por equipes da Polícia Civil nesta quarta-feira (22).

Entre os presos estão os servidores Daiana Cristina Kuhn, Iasmin Cristaldo Cardoso, Pedro Everson Amaral Pinto, Fernando Martineri Sartori e Moises Freitas Victor. Segundo documento, eles devem ficar presos por cinco dias.

A Polícia também cumpriu um mandado de prisão temporária em aberto, já que o investigado era considerado foragido. Houve o cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão.  A Polícia ainda, promoveu o bloqueio de bens, dentre outras medidas cautelares determinadas pela Justiça.

(Documento com detalhes dos nomes dos envolvidos na operação / imagem: reprodução)

As ações policiais desta fase das investigações miram servidores públicos que atuaram no alto escalão do executivo municipal no exercício de 2019/2020, bem como, empresários e empresas com envolvimento no esquema.

Esquema

Equipes do Dracco (Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil de MS) com suporte técnico do LAB-LD (Laboratório de LAvagem de Dinheiro) constataram que foi criada uma conta bancária de fachada, diversa da oficial e não declarada aos órgãos de controle interno e externo do município, por onde foram promovidos mais de 150 repasses de verbas públicas em menos de um ano.

 A partir de negócios jurídicos dissimulados, integrantes do alto escalão da prefeitura emitiram mais de 600 lâminas de cheques, que totalizaram mais de R$ 23 milhões de reais, a empresas, sem qualquer lastro jurídico para amparar os pagamentos.

Muitas das empresas beneficiárias dos valores não mantinham relação jurídica com a prefeitura (licitação, contrato ou meio legal que amparasse a transação financeira). Além disso, não havia emissão de notas fiscais e os valores não eram submetidos a empenho de despesas, operações legais que devem ser observadas pelos entes públicos.

Diante da gravidade dos fatos, foram requeridas ao Judiciário de Maracaju várias medidas cautelares como mandados de prisão temporária contra servidores públicos e particulares, busca e apreensão em empresas, bloqueio de bens e outras, todas cumpridas na presente data pela PCMS, após parecer favorável do Ministério Público e decisão do Poder Judiciário da Comarca de Maracaju.

Participaram também da operação Dark Money policiais civis de várias unidades de MS.

As ações de Polícia Judiciária Civil foram realizadas no Município de Maracaju, Corumbá, Ponta Porã e Campo Grande e envolveram 60 policiais civis do estado do MS e ainda na cidade de Umuarama através de uma equipe da PCPR.
 
A expressão Dark Money, atribuída à Operação do Dracco, é uma alusão à natureza do dinheiro fruto da corrupção sistêmica que atinge setores públicos e perpetrada por seus gestores.