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Quadrilha especialista em roubos e sequestros cooptava trabalhadores para o crime

Quadrilha buscava pessoas sem antecedentes criminais para participar dos crimes

1 AGO 2019
Nathalia Pelzl
16h12min
Foto: Nathalia Pelzl

Durante operação realizada pela Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furto de Veículos) para o combate a roubos de veículos, como características de sequestros relâmpagos, 9 dos 13 envolvidos foram presos e 2 mortos em confronto com policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, na última quarta-feira (31).

A 'consideração' que os criminosos demonstravam ter pelas vítimas chamou a atenção da polícia.A delegada-titular da Defurv, Aline Sinotti, disse em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (1°), que a principal característica da quadrilha, que tem como ‘cabeças’ dois internos do sistema prisional, era abordar pessoas sem antecedentes criminais.

“Quando eles cooptam pessoas que já possuem ficha criminal e são conhecidos do meio policial, eles sabem que a identificação fica mais fácil. Outra coisa que nós percebemos também foi a cooptação de mulheres, motoristas de aplicativos. Eles estão se aprimorando com as novas tecnologias”, destacou.

Todos os veículos roubados eram encomendas e seguiam para entrega na Bolívia. A intensidade dos crimes chamou a atenção da Polícia Civil. Foram mais de 30 dias de investigação, ao todo, foram 6 casos de roubos e sequestro, sendo que 4 foram registrados nos últimos 10 dias.  Quatro veículos foram recuperados, um Ford Fiesta, Ford Ka, Chevrolet Prisma e um Hyundai Creta.

Além disto, o grupo usava violência durante os sequestros, mas tendo quase um ‘pacto’ para não matar, já que sabem que a pena é maior e também como forma de ‘respeito’ às vítimas trabalhadoras.

“A violência como os crimes eram cometidos, tivemos vítimas que foram agredidas, a primeira vítima da Hilux foi agredida, as duas senhoras vítimas do Creta, uma delas recebeu duas coronhadas. Uma coisa que nós notamos, é que eles são enfáticos em dizer que não matam trabalhador, eles têm esse cuidado para não piorarem sua situação com réu - investigado e uma certa consideração pela vítima", pontuou. 

As ações

Após a definição e divisão de tarefas do grupo, estabelecida pelos presos R.F.S (30 anos) e H.Z.F. (36 anos) - internos do Sistema Penal e presos em 2018 - “encomendavam” os carros a seus comparsas que estavam em liberdade.

Os motoristas de aplicativos eram contratados como ‘apoio’, levando os autores em suas casas, bem como outros serviços necessários.

Já as mulheres cooptadas auxiliam os executores na rua, no cativeiro das vítimas e também na distribuição de drogas.

Os presos

Entre os presos estão, Leandro Silva, 33 anos, que atuava como motorista de aplicativo, Fernanda Tomé de Oliveira, 23 anos, responsável pelo cárcere das vítimas, Jhonatan Dulmonte da Silva, 22 anos, Gislaine Chevalier Ribeiro de Almeida, 32 anos, Ricardo José dos Santos, 40 anos, e Jhonathan Fermino da Silva, 20 anos.

Além disto, Michael Vera Cruz de Almeida, 30 anos, e Ronaldo de Andrade Costa, 23 anos, foram presos pela Polícia Militar após tentativa de sequestro a uma advogada, no bairro Santa Fé.

 Nesta ocasião, outros dois integrantes do grupo Abraão Ferrarezi Lima, 18 anos, e Davi Vitor Mendes, 21 anos, morreram no confronto policial.

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