A eficiência do clã Haidar no mercado do narcotráfico dependia de uma complexa e diversificada engenharia logística. A organização não apenas dominava as rotas terrestres da fronteira, mas também utilizava métodos sofisticados de ocultação e armazenamento de substâncias ilícitas. É o que mostra relatório da Operação Ifri, deflagrada nesta quarta-feira (4), pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal.
Em comunicações interceptadas pela Polícia Federal, Maroan Fernandes Haidar Ahmed chegou a revelar a existência de uma estrutura subterrânea (bunker) capaz de armazenar até 1.000 kg de drogas e fuzis de prontidão.
O principal modal de transporte do grupo consistia no uso de caminhões frigoríficos de empresas de fachada, como a S. Maria de Andrade Transportes, de propriedade fictícia de Daniel Jonatas Ferreira e Bruno Bergamasco.
O caso mais emblemático ocorreu em 22 de outubro de 2025, em Bataguassu (MS), quando a Polícia Federal apreendeu aproximadamente 2.000 kg de cocaína dissimulada no interior de sacos de argamassa de cimento.
A carga era transportada em um caminhão conduzido pelo operacional Daniel Ecleverson da Silva Barbosa. O monitoramento revelou que, antes de seguir viagem, o veículo permaneceu por cerca de cinco a seis horas na propriedade "Brasil 10 Poços Artesianos", pertencente a Bassam Haidar, tempo estimado para a realização do carregamento clandestino.
Além do transporte de cimento contaminado, o grupo utilizava fundos falsos em tanques de combustível de veículos de passeio e caixas de papel-toalha para despachar cargas menores de cocaína e skunk.
No segmento de armas, a logística contava com veículos blindados com placas paraguaias para transitar com pistolas Jericho, fuzis FAL e M4, coletes balísticos e até lançadores de foguetes fornecidos por Ireneo Acosta.
Para garantir o sucesso das viagens, os motoristas eram monitorados em tempo real por batedores e recebiam instruções detalhadas sobre a localização de bases de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal.

Operação Infrit
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Ifrit para desarticular uma organização criminosa transnacional com atuação em Mato Grosso do Sul e outros seis estados brasileiros. A ação também conta com a participação da Receita Federal e cumpriu 76 mandados de busca e apreensão e 26 mandados de prisão.
Em Mato Grosso do Sul, as investigações apontaram para a participação de agentes públicos das forças de segurança no esquema. Como parte das medidas judiciais, três policiais civis foram afastados das funções. Também foram determinadas três medidas de monitoração eletrônica.
Além de Mato Grosso do Sul, a operação ocorre em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Dos mandados de prisão, 25 são preventivos e um é temporário. As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal de Campo Grande.
Tráfico internacional e crimes violentos
De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de uma organização liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas. O grupo é suspeito de envolvimento em tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro.
Entre os crimes violentos investigados estão sequestros, torturas, atentados e homicídios. Conforme a PF, a organização utilizava armamento pesado, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar grupos rivais.
A organização atuava principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, mas mantinha ramificações em outros estados brasileiros.
As investigações indicam que drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai. Os produtos abasteciam redes de distribuição no Brasil e rotas internacionais de tráfico de entorpecentes com destino à Europa, especialmente Espanha e Portugal.









