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Política

há 57 minutos

Celular de Vorcaro registra 316 interações com Alexandre de Moraes antes de prisão

Do total de 316 registros, 187 correspondem a mensagens enviadas por Vorcaro entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025

O celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro registrou 316 interações com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dois meses anteriores à prisão do empresário, em novembro de 2025. O levantamento, publicado pelo UOL, recuperou registros de mensagens, imagens, chamadas e avisos do WhatsApp que indicam uma relação de proximidade entre os dois.

Até então, eram conhecidas 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro por meio de imagens de textos escritos no bloco de notas do celular. A nova análise identificou outras 17 mensagens de texto que não haviam sido divulgadas anteriormente.

Do total de 316 registros, 187 correspondem a mensagens enviadas por Vorcaro entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025. Os outros 129 incluem mensagens atribuídas a Moraes e notificações do próprio aplicativo.

Entre os trechos recuperados está uma mensagem enviada pelo ministro em 24 de outubro de 2025, acompanhada de uma imagem que não foi recuperada. Na legenda, Moraes escreveu: "Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs".

Outras mensagens mostram conversas sobre compromissos pessoais e a combinação de um encontro em Brasília. Em 12 de novembro, por exemplo, Moraes escreveu: "Não basta ser pai, tem de participar rsrs", ao que Vorcaro respondeu: "Você é paizão". O banqueiro também pediu que o ministro mandasse um abraço a todos.

Dois dias depois, em 14 de novembro, as mensagens indicam que Moraes acompanhava o deslocamento do empresário. "Me avise quando pousar", escreveu o ministro. Vorcaro respondeu que estava em voo e, posteriormente, informou que havia pousado. Moraes perguntou se ele havia chegado e, em seguida, escreveu: "A caminho então".

A troca de mensagens ocorreu três dias antes da prisão do ex-banqueiro. Vorcaro viajou de São Paulo a Brasília em seu jato particular naquela data. Segundo o levantamento, os registros reforçam a suspeita de que Moraes teria se encontrado com o empresário na capital federal.

Como as mensagens foram recuperadas

As interações foram identificadas a partir de bancos de dados secundários mantidos pelo WhatsApp no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025.

O aplicativo permite configurar mensagens temporárias, que desaparecem após 24 horas. Mesmo com a exclusão do conteúdo do banco de dados principal, fragmentos podem permanecer armazenados em outros registros internos do sistema.

A análise também identificou que Vorcaro havia apagado toda a conversa com Moraes em setembro de 2025. As comunicações foram retomadas em 17 de setembro.

Parte das mensagens recuperadas estava armazenada em um banco de dados utilizado pelo WhatsApp para pesquisas internas. Os registros apareciam com palavras fora de ordem, exigindo uma reconstrução do conteúdo provável.

O levantamento também identificou mensagens trocadas em 28 de outubro e 6 de novembro, além dos diálogos de 12 e 14 de novembro.

Relação e investigação

A proximidade entre Vorcaro e Moraes já havia sido apontada em relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo no fim de agosto. O documento reunia 52 mensagens nas quais o banqueiro utilizava imagens de textos escritos no bloco de notas para dificultar o rastreamento das conversas.

Nas mensagens, Vorcaro demonstrava preocupação com possíveis medidas da Polícia Federal e do Banco Central contra o Banco Master. Em uma delas, pediu ajuda ao ministro para tentar reverter a situação junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, ou ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O empresário também questionou Moraes sobre a possibilidade de sofrer alguma medida no dia seguinte e se deveria deixar o país.

A relação entre os dois também ganhou atenção porque Vorcaro contratou o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, por quase R$ 130 milhões.

Moraes nega conversas

Procurados pelo UOL, Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre o novo levantamento.

Em manifestações anteriores, o ministro negou ter trocado mensagens com o banqueiro e afirmou que os supostos diálogos não existiram. Moraes também questionou a integridade do material extraído do celular e levantou dúvidas sobre a cadeia de custódia do aparelho.

O magistrado classificou o relatório da Polícia Federal como uma tentativa de vingança política relacionada à sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Vorcaro também questiona a cadeia de custódia do celular e afirma que o relatório da PF seria mentiroso e teria sido produzido como retaliação.

Os diálogos e a relação entre o ministro e o ex-banqueiro estão sob análise no Supremo Tribunal Federal. A Corte deverá avaliar se abre uma investigação sobre a relação entre os dois.

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