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sábado, 24 de julho de 2021
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Política

CPI: em bate boca com governistas, Simone Tebet tem que pedir respeito para conseguir falar

O machismo imperou e a senadora foi interrompida várias vezes por senador da base do governo e teve até de fazer sinal de 'pare' com as mãos para terminar a frase

05 maio 2021 - 14h47Por Rayani Santa Cruz

A  senadora Simone Tebet (MDB), que é líder da bancada feminina foi interrompida várias vezes pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao defender a presença de mulheres para acompanhar a CPI da pandemia. Ela teve inclusive que fazer sinal de 'pare' com as mãos para conseguir terminar a frase.

Nesta quarta-feira (5) foi a vez do ex-ministro da Saúde Nelson Teich ser ouvido e a audiência teve de ser suspensa por alguns minutos por conta da discussão enviolvendo os senadores da base governistas e senadoras representantes da bancada feminina.

Segundo o G1, a CPI não tem nenhuma mulher entre seus 18 titulares e suplentes. No entanto, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), disse que faria uma “concessão” para que duas senadoras pudessem fazer inquirições durante as audiências, o que desagradou os governistas.

Em um dos momentos mais acalorados, houve troca de acusações. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) chamou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) de "descontrolado" e disse para ele que não "admite grito".

Simone Tebet pontuou que o presidente da CPI deliberou ontem a concessão para que as mulheres tivessem o direito de falar durante a CPI.

"Há uma grande diferença de privilégio e prerrogativa. Privilégio é inadmissível em um estado democrático de direito e as mulheres dessa Casa nunca vão pleitear. Nós pedimos pelas prerrogativas que pudéssemos ter direito a uma fala na lista dos titulares e na lista dos suplentes", disse Tebet. 

No momento em que Eliziane foi chamada a fazer perguntas a Teich, Nogueira, aliado ao governo, afirmou que não havia acordo e que não havia a previsão no regimento do Senado para que houvesse esse tipo de inserção na comissão.

“Nada contra a senadora, mas isso não está em regimento, não foi acordado pela comissão. A gente fica sendo o papel de vilão da situação se nós queremos cumprir o regimento e que o trabalho seja levado a sério. Isso não foi acordado”, afirmou Nogueira.

Em resposta, a senadora disse: “Só não entendo porque tanto medo das vozes femininas aqui, Ciro”. O senador rebateu: “As pessoas ficam querendo dar uma outra versão, como se nós estivéssemos perseguindo as mulheres. Quem perseguiu as mulheres foi seu partido que não lhe indicou, senadora”.

O presidente da CPI teve de intervir: “Ontem [terça-feira] eu fiz esse apelo para vossa excelência para que a gente pudesse dar a pedido das mulheres. Mas no teor do regimento, nós estamos sim fazendo uma concessão nesse momento. E não é uma concessão porque elas são mulheres, é uma concessão porque elas têm uma representatividade igual à nossa”.

“E não é concessão, é compensação”, acrescentou o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

O vice-líder do governo, senador Marcos Rogério (DEM-RO), também entrou na discussão para dizer que as senadoras queriam dar uma “peia” no presidente Jair Bolsonaro.