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Política

08/03/2026 17:35

Discurso de 8 de março de Adriane Lopes contrasta com ações da gestão frente a demandas de mulheres

Neste Dia Internacional da Mulher, declaração da prefeita sobre violência e críticas políticas esbarra no histórico de embates com servidoras, mães e manifestantes

Em vídeo publicado neste 8 de março, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou que "a violência que tira a vida de tantas mulheres, muitas vezes começa antes, começa na tentativa de desqualificar quem está em espaços não ocupados historicamente por mulheres, por piadas e críticas desproporcionais" e destacou o orgulho de ser a primeira prefeita eleita da Capital.

A narrativa do vídeo associa as cobranças direcionadas à sua gestão a uma forma de violência e perseguição pelo fato de ser mulher. O posicionamento, no entanto, diverge de fatos registrados durante o seu mandato. O cruzamento entre a fala da prefeita e os dados do noticiário revela que mulheres que dependem do Executivo municipal ou que compõem o quadro de servidoras relatam desamparo institucional.

Reportagens recentes do TopMídiaNews evidenciam o tensionamento entre a prefeitura e classes profissionais formadas majoritariamente por mulheres. As assistentes de educação infantil, por exemplo, operam sob ameaça de paralisação nas Emeis (Escolas de Educação Infantil). A categoria cobra diálogo da prefeita e denuncia remuneração base na faixa de R$ 1.200, além de desvio de função e relatos de que a alimentação chega a ser negada às servidoras durante o expediente.

O conflito resultou na recente exoneração de uma assistente logo após a servidora participar de um protesto por direitos na educação. O caso gerou uma representação formal contra a prefeita por suspeita de perseguição política, demonstrando ausência de diálogo da gestão com mulheres que reivindicam melhorias estruturais, além de pouco caso com as centenas de mães que precisam deixar filhos na escola para trabalhar.

Falta de amparo institucional e segurança

A distância entre o discurso de proteção às mulheres e a rotina da administração municipal também se concentra em, ao menos, outras três frentes. Começando com a violência em protestos. Mulheres que participaram de manifestações contrárias à atual gestão relataram e registraram episódios de agressão física por parte de agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana). O uso da força contra o público feminino em atos de cobrança vai de encontro à premissa de repúdio à violência defendida no vídeo oficial.

Há, ainda, a lentidão para tomar medidas diante de casos de assédio e estupro. A prefeitura passou dias para a adoção de medidas contra funcionários próximos ao alto escalão que foram alvos de denúncias de assédio sexual e estupro, e os afastamentos foram apenas temporários, somente licenças de 60 dias. A demora administrativa em afastar ou punir os acusados manteve as mulheres do quadro expostas no ambiente de trabalho. Isso sem contar com o mais novo escândalo: Sandro Benites, diretor da Fundesporte, denunciado por violência de gênero.

A situação se repete com as mães atípicas. Mulheres que demandam suporte contínuo da rede municipal de saúde e educação para filhos com deficiência acumulam reclamações formais sobre o tratamento indiferente recebido pelo Executivo. As cobranças por assistência esbarram na falta de ações práticas e de escuta por parte da prefeitura.

Ao classificar as críticas à sua administração como tentativas de desqualificação de gênero, a prefeita centraliza a narrativa na própria imagem. Os fatos documentados apontam que o rigor cobrado por ela contra a violência não tem sido aplicado na prática para proteger as mulheres ligadas à administração pública, sejam elas mães atípicas, vítimas de assédio em repartições ou educadoras cobrando salários.

 

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