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Política

EM XEQUE: escolha de Bolsonaro para PF é polêmica e divide deputados de MS

Dois deles alertam pela proximidade e amizade entre família Bolsonaro e Ramagem; nomeação foi suspensa pelo STF

29 abril 2020 - 09h32Por Rayani Santa Cruz

Os deputados Beto Pereira (PSDB/MS) e Dagoberto Nogueira (PDT/MS) classificaram a nomeação de Alexandre Ramagem, para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, como imoral.  Eles indicam que a amizade entre Ramagem e a família do presidente poderia influenciar negativamente em processos de investigação e até na democracia.

A nomeação é polêmica, tanto que o blog da Andreia Sadi aponta, inclusive, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a decisão.

“Eu lamento muito tudo isso. Ele está nomeando pessoas da sua intimidade que podem vir a trabalhar para ele, e não para o país. Esse cara vem interferindo do jeito que pode em todas as instituições a fim de encobrir as mazelas dele. Só age desta maneira quem deve e tem culpa no cartório!” disse Dagoberto. 

O tucano Beto Pereira também não achou viável a nova ocupação do cargo. "Não questiono a capacidade dele e muito menos o currículo. Meu questionamento é sobre a relação estreita dele com a família Bolsonaro, assumindo o comando de um órgão que, inclusive, está investigando um dos filhos do Presidente. Essa nomeação pode até ser legal, mas não é moral”, explicou.

O PDT é um dos 28 partidos que pedem o impeachment de Bolsonaro, e para Dagoberto, crimes como o assassinato de Mariele Franco, milícias no RJ e CPI das Fake News estão numa nebulosa que envolve os Bolsonaros. “Ele [presidente Bolsonaro] sabe que vai dar ‘rolo’ e influenciar até mesmo em processo democrático a investigação de tudo isso, tanto que armou tudo isso. Agora, pode investigar todo mundo menos ele?”, questionou o parlamentar. 

Bons olhos

Apesar de ser crítico em relação à nomeação da PF, o deputado Beto Pereira enxerga o nome de André Mendonça para o cargo de ministro da Justiça e segurança Pública como boa escolha. 

“Um técnico com vasta experiência e que já desempenhava um bom trabalho na Advocacia Geral da União. Lembrando que o nome de André só foi escolhido após pressão em cima do presidente que queria nomear outra pessoa, também amigo da família Bolsonaro. Seria mais um caso que feriria a ética. Ainda bem que o presidente cedeu à pressão da sociedade e optou por André Mendonça”, afirmou. 

A deputada Rose Modesto (PSDB/MS) também elogiou Mendonça e disse que ele atuou com isenção nos cargos públicos que ocupou, respeitando os preceitos constitucionais e que isso o credencia. 

Ela não fez críticas em relação a Alexandre Ramagem e comentou que ele tem experiência na área por estar na corporação desde 2005. “São qualificações que dão condições para exercerem de forma competente suas atividades e espero que deem continuidade ao trabalho do ex-ministro Sérgio Moro de forma isenta e autônoma para que o combate à corrupção e o fortalecimento da segurança  pública tenham continuidade".

O deputado bolsonarista Luiz Ovando (PSL/MS) obviamente concorda com as nomeações e acredita que pelo currículo dos dois, por serem funcionários de carreira e por terem a confiança do presidente, a dupla tende a fazer um bom trabalho. "Vamos esperar o pessoal começar a trabalhar para avaliar, creio que sejam boas escolhas". 

Crise política 

Fábio Trad (PSD/MS) espera que os dois atuem com isenção e independência, uma vez que se tratam de funções de Estado. Ele destaca que o governo insiste em dividir o país com crises políticas desnecessárias.

“Creio que, em função da polêmica instalada em torno das nomeações, haverá intenso controle social e corporativo sobre a atuação de ambos, de forma que qualquer desvio de finalidade só aumentará a crise política gerada desde a demissão de Moro. Não é o melhor caminho para o crescimento sustentável com geração e distribuição de renda. Por fim, falta ao governo visão de Estado, posto que não esconde a sua obsessão por 2022. O Brasil não merece um governo que pense prioritariamente na reeleição”, finaliza.