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Política

Deputados de MS dão exemplo e economizam no ‘bandejão’ em Brasília

Todos reembolsaram por almoço, jantar ou lanche, abaixo de R$ 2 mil para seis meses de serviço

19 agosto 2019 - 07h00Por Diana Christie, de Campo Grande, e Celso Bejarano, de Brasília

Diferente de políticos de outros estados, que esbanjam na hora de gastar com alimentação, os representantes de Mato Grosso do Sul receberam valores bem abaixo do esperado nos gastos com alimentação em Brasília. Todos reembolsaram por almoço, jantar ou lanche, abaixo de R$ 2 mil para seis meses de serviço.

Fábio Trad (PSD), por exemplo, segundo o portal da Câmara, consumiu de janeiro a julho, R$ 1.601,84 com o “fornecimento de alimentação do parlamentar”. Ele vai ao restaurante que fica dentro no prédio da Câmara dos Deputados, almoça ou janta, paga a conta, pega a nota, depois o dinheiro é restituído a ele. O parlamentar costuma ir ao restaurante do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).

Doutor Luiz Ovando, deputado federal do PSL, estreante na política, segundo o portal da Câmara, gastou com alimentação no período de fevereiro a julho, R$ 1.390,94. Em fevereiro, primeiro mês da legislatura deste ano, o parlamentar, que é médico, comeu mais na Câmara dos Deputados, R$ 329,68, dinheiro pago por ele, mas reembolsado depois.

Beto Pereira, deputado federal do PSDB, restituiu R$ 1.386,68.

O grandalhão Dagoberto Nogueira, de 1,90 metro, o mais alto entre os 11 congressistas sul-mato-grossense, do PDT, conforme dados do portal da Câmara dos Deputados, consumiu R$ 812,51, com a alimentação. Ele costuma almoçar numa restaurante conhecido como Chá de Estrelas.

A também estreante na política, Bia Cavassa, deputada federal pelo PSDB de MS, segundo os números publicados pela Câmara, pagou sua alimentação com dinheiro público somente no mês de fevereiro. A conta dela deu R$ 138,68.

Vander Loubet, o deputado federal de MS com mais mandatos (5), diz o portal da Câmara, almoçou por duas ocasiões neste primeiro semestre com recurso público, em abril e maio. A soma devolvida a ele: R$ 125,66.

Já Rose Modesto, deputada federal do PSDB e o Tio Trutis, parlamentar do PSL, segundo o portal da Câmara, nada consumiram. Ou seja, pagaram a conta e não quiseram o dinheiro de volta.

Comparação

O valor é baixo se considerado com outros parlamentares, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que gastou R$ 32 mil com alimentação no ano passado – uma média de R$ 2,7 mil por mês. Do total gasto, quase R$ 12 mil custearam 44 refeições em São Paulo. A conta, claro, ficou para o contribuinte.

As mais caras foram feitas nos luxuosos restaurantes Cavour, Amadeus e Nakka, com preços beirando R$ 600. Isso é possível porque as normas flexíveis do Senado Federal não impõem limite para o valor de uma refeição e permitem até que os senadores ofereçam banquetes a correligionários, lideranças políticas e jornalistas, conforme o jornal A Gazeta do Povo.

Como controlar?

Quem conta isso é o Controle Cidadão, ferramenta da Câmara dos Deputados, que exibe pela internet como é gasta a cota para o exercício da atividade parlamentar. O recurso, um dos mais eficientes quando o assunto tratado é a transparência, pode ser consultado por quem queira. É só acessar https://www2.camara.leg.br/deputados/pesquisa e os números saltam. É só escrever o nome do parlamentar desejado.

Não há ilegalidade alguma no pagamento da comida dos parlamentares. Eleito deputado federal, o parlamentar é amparado financeiramente quando adoece, precisa de remédio, dor de dente, para encher o tanque de gasolina, pagar escritório político e os assessores.