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Falta de médicos e demora em realizar exames são líderes em ranking de problemas na saúde

A pesquisa foi realizada por um vereador de Campo Grande e apresentada em audiência pública nesta quarta-feira

11 SET 2019
Ray Santa Cruz
15h00min
Foto: Ray Santa Cruz

Em pesquisa participativa com 1.145 campo-grandenses, os problemas na saúde pública como falta de médicos, demora em realização de exames e cirurgias, além de filas para marcar consultas foram os mais citados. 

O levantamento foi realizado pelo vereador André Salineiro (PSDB), que promoveu uma audiência pública sobre o tema nesta quarta-feira (11). O objetivo, além de retratar problemas, é tirar proveito do debate elencando o que pode ser feito para melhorar. A vereadora Cida do Amaral (PROS) também é propositora da ideia.

Autoridades em saúde pública, vereadores e população participaram do debate intitulado “Impasses no Atendimento e Manutenção das Unidades de Saúde e Hospitais de Campo Grande”.

Na participação da população, a professora psicopedagoga Lucimar Dalzaquer contou que presenciou pais carentes com problemas  em renovar a receita médica psiquiatras para os filhos. O tempo para conseguir uma nova consulta e a medicação influencia completamente no desempenho da criança na vida escolar.

(Professora Lucimar Dalzaquer)

“As  mães não conseguem renovar as receitas pela falta desse especialista nas unidades básicas. Eu já presenciei alunos tendo ataque em sala de aula pela falta de remédio. São pessoas carentes e também não têm condições de comprar”. A professora sugeriu que, a cada dois meses, os especialistas fossem enviados as UBSs da cidade para atendimento.

Antonio Lastoria, superintendente de relações institucionais da Sesau, é defensor do SUS e pontou que não é um caos como falam. Ele diz que os pontos positivos são maiores, a exemplo disso citou mais de 65 internações hospitalares, 29 milhões de atendimentos ambulatoriais e 68 mil procedimentos agendados por mês com 60% de absenteísmo, ou seja, pessoas que faltam. 

(Superintendente da Sesau,  Antonio Lastoria)

 “O sistema tem a lógica de atenção básica, se ela funcionasse de fato não estaríamos com filas enormes desnecessárias com média complexidade, com exames e consultas. Ninguém olha para que o SUS faz”.

O secretário de saúde José Mauro Filho diz que existem custos e normas e que, às vezes, por mais que as ideias sejam boas, como a da professora que sugeriu psiquiatras nas UBSs, não passam, pois as técnicas operacionais e leis exigem que seja tudo feito de outra maneira. 

Sobre a falta de médicos, José Mauro pontuou que, no mês passado, o maior concurso da saúde foi realizado e deve diminuir o déficit de profissionais na cidade. 

(Secretário de Saúde, José Mauro)

Ele comentou sobre o sistema público e disse que desde que entrou na pasta, em abril deste ano, estuda maneiras de melhorar a saúde em Campo Grande, mesmo com diversas ações judiciais. 

“O SUS é um convênio universal. Todos têm direito e, principalmente, aqueles que estão em judicialização. Inclusive esses são aqueles vindos de classes mais orientadas. Existem maneiras de melhorar em métodos de trabalho, protocolos de atendimento, forma de direcionar o paciente numa unidade de saúde e estamos empenhados em tentar melhorar as situações em atenção primaria”, diz.

Para o secretário, a ‘salvação’ está no convênio que foi firmado com a Fiocruz,  que neste momento elabora estratégias para organizar os serviços, inclusive planejando a reforma de nove unidades, dando também estrutura para os pacientes e funcionários. 

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