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Política

há 1 hora

Família Jafar volta a ser alvo do Gaeco uma década depois da investigação na Lama Asfáltica

Eles são investigados por um esquema milionário de vendas de livros paradidáticos sem licitação em Mato Grosso do Sul e outros estados

A família Jafar, conhecida por atuar no ramo editorial em Mato Grosso do Sul e que já esteve no centro das investigações da Operação Lama Asfáltica, voltou a ser alvo das autoridades.

Na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta terça-feira (7), os investigados são a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e os filhos dela, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar e o empresário Felipe Paroschi Jafar.

Os três fazem parte da família proprietária da Editora Alvorada, antiga Gráfica Alvorada, que já havia sido investigada por contratos milionários para fornecimento de livros ao poder público.

O patriarca da família, o empresário Mirched Jafar Junior, apontado como principal responsável pelos contratos investigados na Operação Lama Asfáltica, morreu em março de 2021, aos 63 anos, após complicações provocadas pela Covid-19.

Nova investigação apura desvio de R$ 27 milhões

Na nova ofensiva do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a suspeita é de que uma organização criminosa tenha desviado aproximadamente R$ 27 milhões por meio de fraudes em contratações públicas envolvendo a área da Saúde e a aquisição de livros em Campo Grande.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia (GO).

Segundo o MPMS, empresários lideravam um esquema estruturado para cooptar servidores públicos e direcionar compras sem licitação, principalmente de livros paradidáticos. Os recursos obtidos de forma ilícita seriam pulverizados para dificultar o rastreamento financeiro.

A operação recebeu o nome de Gutenberg em referência a Johannes Gutenberg, inventor da imprensa de tipos móveis. Conforme o Ministério Público, a escolha faz alusão ao fato de que os livros, símbolo da disseminação do conhecimento, teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade ao esquema investigado.

Mesmo núcleo familiar já foi investigado na Lama Asfáltica

A nova investigação faz ressurgir um nome conhecido das autoridades. A família Jafar já havia sido alvo da quarta fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Máquinas de Lama, que investigou contratos firmados entre 2012 e 2014 para aquisição de livros didáticos pelo Governo do Estado.

Na ocasião, Mirched Jafar Junior foi apontado pelas investigações como responsável por um esquema que teria desviado cerca de R$ 13 milhões em contratos que totalizaram R$ 29 milhões.

Documentos da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal indicaram que as contratações ocorreram com rapidez considerada incomum e apresentavam diversas irregularidades.

Em decisão judicial da época, foi destacado que a velocidade da contratação e os problemas encontrados indicavam que a verdadeira finalidade da compra milionária era o desvio de recursos públicos e o pagamento de propinas.

O então delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti, afirmou durante as investigações que os livros adquiridos sequer chegaram a ser utilizados.

"Os livros não foram utilizados. Foram comprados sem qualquer justificativa ou utilização", declarou.

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