O esquema de corrupção, alvo das equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) durante a Operação Gutenberg, tinha como principal fonte de barganha as regulações de doentes para hospitais feitas pela SES (Secretaria de Saúde) de Mato Grosso do Sul.
Conforme o apurado pela reportagem, o servidor e coordenador da regulação hospitalar de MS, Ed Carlo Burgatt, foi cooptado para fazer essa distribuição, beneficiando principalmente municípios que aderissem a esse esquema. Ou seja, caso a cidade aderisse às compras públicas sem licitação de empresas de investigados, teriam os leitos hospitalares, exames, cirurgias e outras necessidades da saúde liberados.
Se a situação fosse contrária, o município iria sofrer para conseguir qualquer tipo de liberação que envolvesse a regulação. Diante deste cenário, os prefeitos eram praticamente obrigados a contratar uma empresa responsável pelo fornecimento de livros paradidáticos fornecidos pela Editora Alvorada, administrada por Rossana Jafar e os filhos Olívia Jafar e Felipe Paroschi Jafar.
Conhecida antigamente como Gráfica Alvorada, a empresa já foi investigada por contratos milionários para fornecimento de livros ao poder público, no âmbito da Operação Lama Asfáltica.
Mais empresários presos
Em outro ponto da investida policial, surgem Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, respectivamente pai e filho. A participação exata deles no esquema ainda é mantida em sigilo. Os familiares aparecem como donos de duas boates e uma loja de veículos de luxo na cidade.
Ainda na seara familiar, o coordenador da regulação da Saúde de MS, Ed Carlo Burgatt, viu a filha Jéssyca Burgatt ir para a cadeia. Eles controlavam um dos principais núcleos da organização.
Além dos já citados, também foram presos Joatan Gomes Peixoto e o filho Matheus Oliveira Peixoto, Francisco Anízio dos Santos. Entre os investigados tem ainda o ex-prefeito de Fátima do Sul e atualmente servidor comissionado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP), Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos.
Entre os presos aparece ainda o advogado Gabriel Taquino de Paula, que se diz especialista em licitações. Ele atuava em um consórcio com a prerrogativa de dar parecer para licitações em 14 municípios.
A entidade em questão é o Consórcio Público de Desenvolvimento do Vale do Ivinhema, o Codevale - que reúne 14 municípios do Estado: Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Deodápolis, Glória de Dourados, Ivinhema, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu e Vicentina.
Taquino era consultor jurídico desse colegiado e, por natureza, avaliava questões jurídicas de dezenas de contratos. Em casos assim, o consultor avalia a legalidade e justificativa de dispensa de licitações, entre outros aspectos de uma compra pública.
Esquema
Operação do Gaeco, na manhã desta terça-feira (7), buscou prender 16 pessoas de uma quadrilha que fraudava licitações e pode ter desviado R$ 27 milhões da Saúde e na compra de livros em Campo Grande.
O nome da investida policial é ''Gutenberg'' e também cumpre 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia (GO).
Ainda segundo divulgado pelo MPE-MS, o bando é suspeito de corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro e delitos associados. A quadrilha é instalada na Capital e tinha atuação espalhada.
Outro destaque é a organização em núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso. Eles cooptavam servidores públicos para direcionar compras públicas diretas, sem licitação de livros paradidáticos. Os valores desviados eram pulverizados a fim de ocultar a origem ilícita.








