A vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirmou ao TopMídiaNews que a operação “Apagar das Luzes”, deflagrada pelo Gaeco na última sexta-feira (19), reforça alertas que já vinham sendo feitos pela Câmara Municipal sobre os contratos de iluminação pública em Campo Grande.
Com tom crítico e cauteloso, a parlamentar defendeu investigação rigorosa, mudanças nos processos administrativos e cobrou responsabilidade direta da atual gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).
Segundo Luiza, a população muitas vezes não compreende como os contratos de iluminação são aprovados e fiscalizados. Ela explica que, em 2024, a prefeitura realizou novas licitações dividindo a cidade por lotes, modelo semelhante ao adotado em outros serviços, como tapa-buraco. À primeira vista, os valores apresentados pelas empresas vencedoras chamaram atenção por serem inferiores aos contratos anteriores, o que levantou suspeitas.
“Parecia um preço ofertado apenas para vencer a licitação”, afirmou.
A vereadora destacou que, antes mesmo de os contratos completarem 12 meses de vigência, a prefeitura autorizou aditivos de prazo e de preço, chegando muito próximo do limite legal de 25%. “Esses reajustes não estavam baseados na inflação do período, nem em aumento de serviços. Não houve novas ruas ou bairros. O objeto do contrato era o mesmo”, criticou. Para Luiza, isso indica uma possível fraude na execução contratual, já que mandaram preços baixos para ganhar a licitação e depois ‘ganharam’ majoração significativa sem contrapartida para a administração pública.
Ao comentar a deflagração da operação, a vereadora disse não conhecer os detalhes do procedimento investigativo, mas ressaltou que os contratos atualmente sob suspeita foram firmados e aditivados em 2024, já na gestão Adriane Lopes. “Pode até haver contratos antigos sendo investigados, mas o Ministério Público deixou claro que há contratos em vigor, com aditivos recentes. Isso coloca, sim, a gestão atual no centro da responsabilidade”, afirmou.
Diante da estimativa do MPMS de R$ 62 milhões em superfaturamento e prejuízo de pelo menos R$ 110 milhões, Luiza defende que a Câmara não se limite a esperar punições futuras. Para ela, é papel do Legislativo acompanhar de perto, cobrar transparência, rever procedimentos e fiscalizar pagamentos. A parlamentar revelou que passou a monitorar mensalmente as notas de liquidação e pagamento, especialmente das empresas Construtora JLC e B&C, ambas investigadas.
“Há pagamentos altos todos os meses, mas não há satisfação da população. As reclamações sobre lâmpadas apagadas continuam”, disse.
Sobre a possibilidade de afastamento cautelar de servidores ligados às medições e pagamentos, Luiza considera a medida legítima enquanto durarem as investigações, justamente para proteger o interesse público e evitar novos prejuízos. Ela também questiona a manutenção de contratos sob suspeita, diante do que o MP chama de “continuidade delitiva”.
“Não é razoável manter tudo como está se há indícios graves. É preciso garantir o serviço, mas com controle, fiscalização e preços justos”, pontuou.
A vereadora enfatizou que a iluminação pública é essencial para a segurança e qualidade de vida da população, mas alertou que Campo Grande já enfrenta sucessivos problemas em outras áreas, como transporte coletivo, saúde e infraestrutura. “A cidade não aguenta mais sofrer. A prefeita precisa assumir uma postura mais firme. Não dá para aceitar qualquer preço, qualquer medição, em nome da continuidade do serviço”, concluiu.
Investigação
A operação ‘Apagar das Luzes’, deflagrada na sexta-feira (19) investiga um esquema de corrupção e superfaturamento de licitações das construtoras JLC Ltda, B&C Ltda e uma terceira empresa ainda não divulgada. Segundo o MPMS, as empresas, em conjunto, teriam causado um superfaturamento superior a R$ 62 milhões apenas em parte dos contratos analisados. Dois servidores públicos, sendo um da ativa e outro aposentado, também estariam envolvidos no esquema.
As investigações apontam que a organização criminosa era formada por agentes públicos e privados, que direcionavam contratações, superfaturavam serviços e desviavam recursos da Cosip. O Gaeco identificou ainda a existência de um segundo núcleo criminoso, voltado à criação de empresas de fachada, usadas para simular prestação de serviços e facilitar o desvio de dinheiro público.
Durante a operação, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos que devem subsidiar a continuidade das apurações. O procedimento segue em sigilo.







