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Envolvidos no escândalo da farra das passagens falam em armação do Judiciário

Políticos de MS negam irregularidades, mas destacam que doações de passagens aéreas eram legais na época

6 NOV 2016
Rodson Willyams
18h30min
Foto: Geovanni Gomes/André de Abreu

Envolvidos no escândalo conhecido como 'farra das passagens', em que deputados federais e senadores, com mandato entre 2007 e 2009, 'emprestaram' passagens aéreas da cota parlamentar para familiares e amigos viajarem, as personalidades políticas de Mato Grosso do Sul negam as irregularidades e falam até em armação. O suposto empréstimo é ilegal, pois as passagens devem ser usadas exclusivamente para o exercício da atividade parlamentar.

Para o ex-deputado federal e atual presidente regional do Partido dos Trabalhadores, Antônio Carlos Biffi, as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal são resultado de uma 'tremenda armação' feita contra os ex-parlamentares.

"Isso é uma tremenda armação! Colocaram todos os deputados daquela época indistintamente. No meu caso, tenho 22 passagens em meu nome. Mas não é desta forma como estão falando, a minha família não está envolvida nisso. O que eu fiz foi apoiar os movimentos sociais que, na época, sempre vinham me pedir ajuda para ir à Brasília (DF), e eu ajudava", explica.

Dentro das regras

Segundo Biffi, durante esse período, às passagens oferecidas pela Câmara dos Deputados não tinham um controle rigoroso como exigido agora. Todos os bilhetes emitidos por ele foram para atender diversos movimentos sociais. "Sempre apoiei esses movimentos, nunca fiz nada errado. Nunca levei a minha família para o exterior, como aconteceu com alguns parlamentares daqui. Aliás, a minha família nunca usufruiu deste recurso. Estou tranquilo e vou aguardar uma manifestação da Justiça", finalizou em entrevista ao TopMidiaNews.

Por meio de nota encaminhada pela assessoria de imprensa ao Portal, Biffi ainda reforça que: '1 – Considero como algo normal a fiscalização do MPF sobre o uso do dinheiro público e a denúncia foi feita em cima do que eles classificam de uso indevido; 2 – Estou tranquilo em relação aos fatos, uma vez que nunca usei bilhetes aéreos para beneficiar familiares, mesmo na época em que isso era permitido; 3 – Caso a Justiça Federal acate a denúncia vou apresentar a minha defesa, após ter acesso ao processo, considerando que não tenho conhecimento dos pormenores do processo do MPF'.

Outro petista que aparece na lista é o atual deputado federal Vander Loubet. Por meio da assessoria de imprensa, o parlamentar ressaltou que sempre utilizou o benefício conforme estabelecido em regras do parlamento. "A respeito da citação do meu nome nessa investigação, gostaria apenas de destacar que sempre fiz e faço uso da cota de passagens aéreas dentro das normas e regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados."

Queda de braço entre poderes

Para o deputado federal e candidato derrotado à prefeitura de Dourados, Geraldo Resende, do PSDB, a denúncia está relacionada a briga de forças que envolve o Legislativo e o Judiciário Brasileiro. "Há uma queda de braço. Eles, do Judiciário, não têm o que fazer e vem com essa denúncia. Basta olhar este rol de denunciados e ver que tem gente que agora é governador, senador e ministros. Vejo que a investigação é normal, mas antes, isso era permitido", comenta.

E destaca: "Não tenho nenhum tipo de envolvimento. Antes isso era permitido, inclusive para a esposa e familiares. Mas no meu caso, utilizei apenas para atender entidades sociais. Muitas das pessoas que me procuraram eram para fazer tratamento no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Tinha pessoas que apresentavam lesão na coluna e a forma de chegar, tinha que ser por avião".

Geraldo ainda finaliza: "estou tranquilo. Vou tomar conhecimento e apresentar a minha defesa, se for o caso. Vejo que a investigação, ela é normal, mas quem me conhece sabe da minha conduta. E espero que quem tenha feito algo irregular, pague o preço necessário".

A reportagem tentou contato com os demais envolvidos, mas não obteve reposta e nem retorno das ligações.

Envolvidos

Entre os sul-mato-grossenses envolvidos no escândalo, estão também o senador Waldemir Moka, do PMDB; o deputado federal Dagoberto Nogueira, do PDT; e o presidente do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado), Waldir Neves. Constam na lista de ex-deputados ainda o prefeito de Dourados, Murilo Zauith, do PSB; o candidato derrotado a prefeito de Campo Grande, Pedro Pedrossian Filho, do PMN; e o vereador eleito em Campo Grande, Antônio Cruz, PSDB. 

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