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Política

Prefeita de cidade no PR pode ser cassada após torrar R$ 270 mil em bolos e salgadinhos

Seriam necessárias 65 mil pessoas, quase o dobro da população da cidade, para consumir toda a comida

12 julho 2019 - 16h30Por Da redação/G1

A prefeita de Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, Marlene Fátima Revers (Pros) é investigada pela Câmara de Vereadores por supostos gastos excessivos na compra de bolos e salgados. O parecer da Comissão Processante, aberta em maio, pede a cassação da chefe do administrativo.

Nesta quinta-feira (11), o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) suspendeu a sessão extraordinária para a votação do parecer, que estava prevista para sexta-feira (12). A defesa da prefeita apontou irregularidades nas investigações. Segundo o apurado, entre setembro de 2017 e julho 2018 foram gastos mais de R$ 270 mil com a compra de quase 6,5 toneladas de bolo e mais de 36 mil salgadinhos para reuniões do Conselho Municipal de Assistência Social.

Este total, se dividido pelos 11 meses destacados pela denúncia que levou à abertura da comissão, equivale a 199 bolos de três quilos por mês. E, levando-se em conta 100 gramas por pedaço de bolo, seriam necessárias 65 mil pessoas para consumi-los, aproximadamente o dobro da população da cidade.

A denúncia indica ainda que em alguns meses, a prefeitura chegou a pagar por cerca de 300 quilos de bolo e que o conselho é formado por somente cinco integrantes. De acordo com o administrativo da Câmara de Vereadores, o processo tem quase 2 mil páginas que incluem notas, fotos e depoimentos da prefeita, do secretário de administração e de servidores municipais.

A abertura da Comissão Processante foi aprovada por nove votos a favor e quatro votos contrários. Na decisão desta quinta, o TJ-PR determinou ainda que a contagem do prazo de 90 dias para a conclusão das investigações seja suspensa até que novas testemunhas indicadas pela defesa sejam ouvidas.

Em nota, a defesa da prefeita contestou as contas apresentadas pelo relator da comissão. Os advogados afirmam que "se trata de presunção fantasiosa do vereador da oposição", que não fez nenhum estudo técnico para calcular quanto bolo comeria cada morador.

Eles também dizem que as 6,5 toneladas de bolo foram consumidos em dois anos em ações de programas sociais e eventos da Secretaria de Ação Social. Declaram ainda que no total de notas de R$ 270 mil há compras de utensílios de cozinha e que apenas os bolos e salgadinhos custaram R$ 95 mil.

O presidente da Comissão Processante, o vereador Ivar Antônio Lins Eleuterio, é acusado por alguns dos investigados de ter pedido R$ 500 mil para arquivar a investigação. Ele nega a acusação de corrupção passiva e que tenha autorizado ou pedido para alguém negociar qualquer coisa em seu nome.