A prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou, nesta sexta-feira (23), um pacote de investimentos de R$ 544 milhões destinado à pavimentação de 40 bairros de Campo Grande, com recursos do Governo Federal. A 'boa nova' está em descompasso com informações do Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), que traz a publicação do extrato de paralisação das obras de asfalto e drenagem no bairro Ramez Tebet.
Em comunicado à imprensa, Adriane citou a previsão de R$ 140 milhões apenas na primeira fase, que contempla licitações em preparo para 28 bairros, incluindo Los Angeles, Nova Tiradentes e Aero Rancho. “O asfalto muda a vida das pessoas, valoriza os imóveis e traz dignidade para quem vive nesses bairros”, afirmou, referindo-se a regiões que aguardam melhorias há mais de uma década, sem mencionar a participação da gestão Lula (PT) no pacote.
No entanto, a realidade administrativa exposta no Diogrande aponta para dificuldades na manutenção de contratos já firmados. O Extrato da Ordem de Paralisação n. 25/2025, assinado pelo secretário da Infraestrutura, Paulo Eduardo Cançado Soares, oficializa a interrupção dos serviços da "Etapa A" de pavimentação e drenagem no Ramez Tebet.
O documento revela um dado técnico relevante sobre o cronograma: embora publicado apenas agora, no final de janeiro de 2026, a ordem determina a paralisação com efeito retroativo a 1º de dezembro de 2025. Ou seja, enquanto a gestão anuncia novas frentes de trabalho para 2026, o contrato 222/2024, firmado com a empresa Gomes & Azevedo LTDA para atender o Ramez Tebet, já está tecnicamente suspenso há quase dois meses.
Contraste entre anúncio e execução
O pacote anunciado prevê intervenções complexas, como a interligação viária na região do Grande Parati e drenagem urbana. A lista de beneficiados é extensa, abrangendo desde o Jardim Noroeste até o Santa Emília. A prefeitura também reforçou a continuidade de operações de tapa-buraco e recapeamento de 40 quilômetros de vias. No entanto, a capacidade de fluxo de caixa e gestão contratual está em xeque.
Até o fechamento desta matéria, o Executivo não detalhou os motivos técnicos ou orçamentários que levaram à suspensão do contrato com a Gomes & Azevedo, nem como pretende blindar o novo pacote de R$ 544 milhões de interrupções similares. O espaço fica aberto para posicionamento.







