O abismo entre a política nacional de valorização da educação e a prática da gestão municipal em Campo Grande foi o ponto central do discurso do vereador Jean Ferreira (PT) nesta terça-feira (3). Diante de um plenário lotado por assistentes de educação infantil, o parlamentar expôs a precariedade financeira imposta pela prefeita Adriane Lopes (PP) à categoria, questionando a dignidade de quem mantém as Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) funcionando.
“Quem sobrevive com R$ 1.200 líquido por mês?”, indagou Jean, expondo o contracheque real dos servidores. Embora o salário bruto seja de R$ 1.900,00, os descontos reduzem os vencimentos a um patamar insustentável. O vereador defendeu a elevação imediata do salário-base para R$ 2.250,00, como medida emergencial de socorro à categoria.
Contramão do Governo Federal
Do mesmo partido que o presidente Lula, Jean Ferreira utilizou a tribuna para traçar um comparativo crítico com o Governo Federal. Segundo ele, Lula sancionou o reconhecimento dos assistentes de educação como integrantes da carreira do magistério e promoveu o aumento do piso dos professores no nível federal, enquanto localmente a prefeitura de Campo Grande permanece estagnada.
A fala do vereador ecoou as reivindicações urgentes dos manifestantes que ocuparam a Câmara. A categoria denuncia que a gestão Adriane Lopes tenta transformar o cargo em "monitor de alunos" para baratear a mão de obra, fugindo das obrigações da carreira de magistério.
Além do reajuste no salário-base citado por Jean, os assistentes exigem: vale-alimentação de R$ 300; fim do enquadramento como "monitor" e reconhecimento como assistente de educação; fim da superlotação nas salas e cumprimento da lei do atestado de acompanhante; além de concurso com a nomenclatura correta, e não a distorcida pelo edital atual.







