A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB) e a ex-ministra Simone Tebet (PSB), que também tem trajetória política em Mato Grosso do Sul, estão entre as mulheres que mais receberam ataques e insultos nas redes sociais durante o primeiro turno das eleições deste ano. O levantamento do observatório de violência política de gênero MonitorA identificou as duas entre as quatro candidatas mais atingidas por comentários negativos no período.
O estudo foi realizado pelo InternetLab, Instituto Democracia em Xeque e Núcleo Jornalismo e analisou 2.202 comentários publicados em 143 perfis de candidatas nas plataformas X, YouTube e TikTok, entre os dias 1º e 4 de outubro.
Entre os conteúdos classificados especificamente como ataques, Simone Tebet aparece em terceiro lugar, com 55 ocorrências. Soraya Thronicke ocupa a quarta posição, com 25. O ranking é liderado pela deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP), com 73 registros, seguida pela ex-ministra Marina Silva (Rede), com 63.
Quando considerados ataques e insultos juntos, Tebet aparece na liderança, com 221 ocorrências. Soraya ocupa a terceira posição, com 105 registros, atrás de Erika Hilton, com 110. Marina Silva aparece em quarto lugar, com 103.
As quatro concentraram 79,26% dos 680 comentários negativos identificados pelo levantamento.
Misoginia marca ataques a sul-mato-grossenses
A misoginia foi a principal manifestação de violência identificada nos comentários direcionados às duas políticas com trajetória em Mato Grosso do Sul.
No caso de Simone Tebet, foram registrados 30 comentários classificados como ataques misóginos, o equivalente a 55% das ocorrências de violência direcionadas à ex-ministra. Já Soraya Thronicke teve 10 registros de misoginia, correspondentes a 40% dos ataques identificados contra a senadora.
O estudo, divulgado pela Folha de São Paulo, também identificou outras formas de violência política de gênero entre as candidatas analisadas.
A transfobia foi predominante nos ataques contra Erika Hilton, representando 82,19% das ocorrências. Marina Silva foi alvo principalmente de etarismo, com 23 registros, o equivalente a 36,51%, seguido por comentários de desumanização, que representaram 25,40%.
X concentra maior número de ofensas
A plataforma X, antigo Twitter, concentrou a maior parte dos ataques e insultos identificados pelo observatório.
Foram 557 ocorrências, sendo 226 classificadas como ataques e 331 como insultos.
O YouTube aparece na sequência, com 115 comentários negativos, dos quais 31 foram classificados como ataques e 84 como insultos.
Já o TikTok registrou seis comentários ofensivos, todos considerados insultos pelo levantamento.
O MonitorA diferencia ataques de insultos. Os ataques são conteúdos ofensivos que tentam inferiorizar candidatas com base em características como gênero, raça, orientação sexual, deficiência, religião ou identidade de gênero.
Os insultos, por sua vez, são definidos como ofensas com linguagem hostil, mais dura do que uma simples crítica, mas que não mobilizam diretamente desigualdades relacionadas a esses marcadores sociais.
Violência continuou após primeiro turno
O observatório também identificou aumento expressivo de comentários contra candidatas após a divulgação dos resultados do primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
A análise aponta que o pico ocorreu no dia seguinte à votação, na segunda-feira (5), e se estendeu até 7 de outubro.
Entre as candidatas que passaram a receber atenção do monitoramento estavam Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), eleita deputada federal com 524.219 votos, e Eduarda Campopiano (PL-SP), eleita deputada estadual com aproximadamente 1,9 milhão de votos.
As duas não faziam parte do escopo inicial do observatório, mas foram incluídas após o aumento de comentários nas redes sociais.
“Esses resultados chamam a atenção para a continuidade da violência política para além do momento da votação, indicando que a divulgação dos resultados eleitorais e a ampliação da visibilidade de determinadas candidaturas podem desencadear novas ondas de ataques nas redes sociais”, afirma o levantamento.
Uma análise qualitativa e aprofundada dos comentários direcionados às candidatas será realizada posteriormente pelo observatório.








