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segunda, 20 de setembro de 2021 Campo Grande/MS
Saúde

Governo Bolsonaro deixa vencer R$ 243 mi em vacinas, insulina e remédios para câncer

Itens que deveriam ser destinados a pacientes do SUS vão ser incinerados

06 setembro 2021 - 10h19Por Rayani Santa Cruz

O Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de medicamentos contra câncer, vacinas, insulina, testes de diagnóstico e outros itens avaliados em mais de R$ 240 milhões. Os produtos que deveriam ser destinados a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) e que faltam em postos de saúde, agora vão ser incinerados.

O total de 3,7 milhões de itens começaram a vencer há mais de três anos, a maioria durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), diz o Metrópoles. Agora, o destino é o cemitério de insumos do SUS, em Guarulhos (SP), no centro de distribuição logística da pasta. A denúncia partiu da Folha de S.Paulo.

Insulina e vacinas

Todo o estoque é mantido em sigilo pelo ministério. A lista de produtos vencidos inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, suficientes para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês, no valor de R$ 10 milhões. Também foram perdidos frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões.

Remédios

Os produtos vencidos também seriam destinados a pacientes do SUS com hepatite C, câncer, Parkinson, Alzheimer, tuberculose, doenças raras, esquizofrenia, artrite reumatoide, transplantados e problemas renais, entre outras situações .O Ministério da Saúde também guarda cerca de R$ 345 mil em produtos perdidos dos programas de DST/Aids, principalmente testes de diagnóstico, além de R$ 620 mil em insumos para prevenção da malária.

Dados internos do governo mostram que devem ser incinerados mais de R$ 32 milhões em medicamentos comprados por ordem da Justiça. A maior parte desses fármacos é de alto custo e para tratamento de pacientes de doenças raras, uma bandeira do governo. Ao lado da primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) lançou no último dia 31 a “Rarinha”, nova mascote do SUS.

No meio desse estoque, há um frasco-ampola de nusinersena, avaliado em R$ 160 mil, e 908 frascos de eculizumab, que custaram R$ 11,8 milhões. São medicamentos usados em dois dos tratamentos mais caros existentes.

O que diz o ministério

Procurada, a pasta da Saúde não explicou por que os produtos perderam a validade e qual o tamanho e valor do estoque que conseguiu repor nas negociações com fabricantes.