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A 3h de Campo Grande, Bonito tem vizinho que nunca pisou lá, mas conhece até outros países

Capital do ecoturismo fica do ladinho, mas fama de destino caro afasta os potenciais turistas que vivem em MS

22 JUN 2019
Amanda Amaral
15h15min
Foto: Arquivo Pessoal/Diana Christie

 As águas cristalinas, cachoeiras, fauna e flora de um cerrado rico em vida. Tudo isso e mais rendeu a Bonito, município a 247 km de Campo Grande, título fixo como a Capital do ecoturismo no Brasil. Ainda assim, mesmo quem vive há anos em Mato Grosso do Sul nunca visitou o lugar.

O motivo que tira o destino da lista de férias dos vizinhos? A ideia que se tem do preço total da viagem. Pelas ruas de Campo Grande, a reportagem do TopMídiaNews percebeu que muita gente até prefere viajar para a praia ou até outros países com o valor que acreditam que iriam gastar no interior de MS. 

Elisa conheceu o Líbano, mas nunca foi a Bonito. (Foto: Wesley Ortiz)

A funcionária pública corumbaense Elisa Espindola, 50 anos, é uma delas. Ela até conhece alguns municípios do interior, o litoral de Porto de Galinhas e o Líbano, país no oriente médio, mas nunca conseguiu planejar uma ida à Bonito.  

“Tenho vontade de ir, conheço o que vi na novela ‘Alma Gêmea’, da Globo, que mostrava a gruta azul. Sempre ouvi falar também, mas nunca pensei em ir porque é caro e a água é gelada”, diz.

Cuiabano sempre ouviu falar da cidade. (Foto: Wesley Ortiz)

De Mato Grosso, o porteiro cuiabano Nilson de Alcântara chegou há alguns meses para viver em Campo Grande, mas já conhecia a fama da cidade turística. “Faz tempo que eu conheço, sempre ouvi falar que é um paraíso ecológico, mas ainda não considerei ir. Acho que se compara a Chapada dos Guimarães, pra passar um final de semana não deve sair menos que uns R$ 500 a R$ 600, então não é todo mundo que tem pra gastar”, lamenta.

Há quem sempre adiou a ida, mas resolveu pôr à prova e na ponta da caneta as contas para a viagem caber no orçamento. O funcionário público Eric Lima, 28 anos, é de Brasília e vive há quase uma década na Capital de MS, mas só se programou após o incentivo da amiga que vive no Rio de Janeiro e sonhava em conhecer o destino.

Foto: Arquivo Pessoal/Diana Christie

“Sempre tive vontade de ir, mas como ouvi bastante que lá é tudo muito caro, nunca tinha planejado uma viagem. Rola uma miopia na hora de escolher destinos pra viajar também, acredito que a proximidade deixa a sensação de que ‘ah, posso ir depois’”, avalia.

Ele concorda que os preços dos passeios não são tão baratos, mas acredita que o investimento vale a pena. “São experiências incríveis. E acho que é importante você pensar que está pagando não apenas pelo passeio, mas pela preservação do lugar, pelos guias, pelos equipamentos e toda a estrutura que existe pra oferecer a melhor experiência possível. A cidade tem opções bem acessíveis de hospedagem e dinheiro que economiza em uma passagem aérea e já pode ser usado em alguns passeios pela região. Se conseguir ir de carro dá pra economizar ainda mais”, indica.

Quanto?

Em consulta pela internet, é possível ver que as hospedagens mais simples em hostels estão na faixa de R$ 35 por pessoa, mas hotéis podem chegar a R$ 722 em um resort. Há a opção de casas de temporada, que juntando um grupo de amigos fica mais em conta ao visitante.

Já os passeios mais caros ultrapassam os R$ 1000, como é o caso da visita a um abismo rochoso com águas cristalinas, mas há várias atividades abaixo de R$ 50.

 

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