Adultos hoje, mas crianças no início da história do Cordão Valu, antigos integrantes do Valuzinho seguem participando ativamente do principal bloco de Carnaval de rua de Campo Grande. Ao completar 20 anos, o grupo mantém a tradição de priorizar a presença infantil na folia, fortalecendo laços familiares e garantindo a continuidade do carnaval popular.
Desde sua fundação, em 2006, o Cordão Valu reserva um espaço exclusivo para as crianças durante o Carnaval. O Valuzinho, bloco infantil dentro da programação oficial, acontece tradicionalmente na terça-feira de Carnaval, na Esplanada Ferroviária, com início às 14h, ao som de marchinhas executadas pela banda do próprio Cordão. A participação é acompanhada por pais ou responsáveis e antecede os shows de encerramento da festa.
Ao longo dessas duas décadas, crianças que brincaram no Valuzinho cresceram dentro do bloco e hoje retornam como foliões adultos, mantendo viva a tradição do carnaval de rua, das fantasias e das marchinhas. É o caso de Luiza Vitória Lencina Rodrigues, que começou a frequentar o Cordão ainda aos seis anos, levada pelos pais, amigos dos fundadores do grupo. Hoje adulta, ela afirma que nunca deixou de participar dos carnavais do Valu.
“Era um ambiente muito alegre e divertido. A gente brincava com confetes, serpentinas, adorava as marchinhas e as fantasias”, relembra. Segundo Luiza, acompanhar o crescimento do Cordão ao longo dos anos é motivo de emoção. “Antes eram sempre as mesmas pessoas. Hoje são milhares. É lindo de ver.”
A fidelidade ao bloco também marca a história da família Soares. Fernando Soares participou do primeiro desfile do Cordão Valu, em 2007, quando tinha 10 anos, e segue até hoje como folião. Atualmente, ele leva a esposa e os dois filhos para o Carnaval do grupo, representando a terceira geração da família no bloco.
“Quando chegava o Carnaval, a ansiedade já começava. A gente preparava fantasia, cantava marchinhas e comemorava sair no Cordão”, contou. Entre as lembranças, Fernando destaca a fantasia de Freddie Mercury platinado, que considera uma das mais marcantes.
Outra presença desde a infância é a da psicóloga social Luiza da Silva Cardozo, que estreou no Cordão aos sete anos, também no primeiro desfile. Filha de integrantes da fundação do bloco, ela afirma que cresceu imersa no ambiente do carnaval de rua. “Era um espaço de liberdade, de expressão, cercada de amigos e famílias. Até hoje é assim”, disse.
Luiza ressalta que o Cordão Valu vai além da festa. “O carnaval também é um movimento político, de ocupar a rua com arte e alegria”, afirmou, destacando a importância da continuidade do grupo pelas novas gerações.
Filha de uma das cofundadoras do Cordão, a nutricionista Iara Penzo também começou a desfilar ainda criança e permanece como foliã. Para ela, as memórias de produzir fantasias coletivamente e brincar nas ruas próximas ao Complexo Ferroviário seguem vivas. “Era uma festa verdadeira, espontânea, que marcou a minha infância”, relatou.







