O celular no bolso e o livro aberto nas mãos. Foi essa a escolha do professor David José, de 46 anos, para aproveitar a manhã de temperatura mais amena desta quinta-feira (25), na Praça Ary Coelho, em Campo Grande. Na tentativa de desacelerar e se afastar do consumo desenfreado de tecnologia, ele encontrou no espaço público e na leitura uma alternativa para mudar os hábitos e buscar mais foco.
A decisão veio de uma percepção direta sobre os efeitos da hiperconexão na própria rotina. Para o professor, buscar novas dinâmicas tornou-se uma necessidade para enfrentar as cobranças cotidianas. “A motivação foi que gerar novos hábitos é essencial para que você consiga lidar com o dia a dia”, explica.
David sentiu o peso do que muitos enfrentam ao passar horas rolando o feed. Ele aponta que a mudança era também uma questão profissional e de saúde mental. “Nós sabemos que o uso excessivo de telas, o uso excessivo de tecnologia, ele promove a ansiedade. Isso causa diversos fatores na vida profissional, na vida social e na vida particular também”, avalia.

Deixar o smartphone de lado já trouxe reflexos na forma como ele processa as informações. O ritmo frenético das notificações deu lugar a uma observação mais atenta. “A troca de hábitos é importante porque faz você pensar melhor e faz você pensar de uma maneira mais pausadamente”, conta o professor.
Esse respiro longe do digital afeta de forma direta as escolhas que ele faz diariamente. “Isso determina as decisões. Isso determina como você escolhe as oportunidades, não de uma maneira automática, como a rede social apresenta. E a gente aprende a viver o tempo”, reflete.
A iniciativa solitária de David divide o cenário com outras pessoas que também buscaram o espaço ao ar livre para uma pausa. A praça serve de ponto de encontro para grupos de amigos e famílias que buscam um pouquinho de paz no meio da correria.
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