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Entre as alegrias e desafios, atores contam como é viver desta profissão em MS

Afinal, há palco para dar vida ao sonho de artistas em Campo Grande?

05 maio 2019 - 15h15Por Amanda Amaral

Viver com sentimentos à flor da pele, dar vida a incontáveis e extraordinárias outras, ter uma rotina de incertezas, realizações, receber aplausos ou vaias no final de cada trabalho. Não são simples os desafios de um ator ou atriz, tampouco são fáceis os tempos para sonhadores, mas há quem lute para realizar a missão em Campo Grande, capital fora do eixo cultural efervescente do país.

Apesar de a profissão ser regulamentada desde 1978 no Brasil, artistas que nasceram e cresceram em Mato Grosso do Sul têm opinião é unânime sobre o estado ainda estar para trás na valorização da arte. Mas quem ama insiste nesta carreira mesmo sob complicadas circunstâncias.

Co-fundadora do Grupo Casa Ligia Prieto, 31 anos, começou aos 13 ou 14 anos de idade e nunca mais quis parar, participando de vários grupos e até ganhando prêmio como melhor atriz em um festival de 2005. Depois de cinco anos fazendo teatro e pagando suas pequenas contas com espetáculos, mudou seu status de 'estudante de psicologia' para 'atriz' e nunca mais parou de trabalhar, com base em Campo Grande. 

Ligia Prieto. (Foto: Thiago Costa)

A vontade de fazer acontecer precisa ter esforço constante, ressalta. "Aqui em Campo Grande não temos teatro, o espaço físico, o que é um grande absurdo e vergonha para uma capital. O nosso trabalho é muito maior do que montar um espetáculo legal que realize nossos desejos artísticos, temos toda uma estrutura para enfrentar e tentar modificar, precisamos formar plateia, enquanto a sociedade não entender que é legal e que ela precisa de arte, não vai lutar por nós artistas, e consequentemente não vai lutar por ela mesma. Precisamos reeducar os governos, que mantêm fechados os teatros municipal e estadual", opina.

"Aqui no Grupo Casa, criamos uma estrutura pra isso, mas há muito tempo vivemos de teatro, Fernando [co-fundador do grupo] vive de teatro há mais de 30 anos, tem formação em direção teatral, e eu há uns 8 anos vivo só de teatro, faço teatro desde 2003, mas tenho minha formação em psicologia, psicanalise e saúde mental, o que me dividiu um pouco mas somou muito também. Vive-se de teatro quando se encara ele como qualquer outra profissão. Ouço alguns discursos absurdos de jovens artistas que estão dentro da academia dizendo que quando saírem da faculdade serão os novos atendentes de telemarketing, isso me entristece profundamente, o que as faculdades estão fazendo, senão estruturar esse jovem para a vida e para o mercado de trabalho e para o mundo?", questiona.

Vindo de Caarapó para a Capital, o ator Paulo Augusto Fernandes, 27 anos, compartilha do mesmo sentimento. Quando no interior do estado, nunca teve muito contato com o teatro, mas o pouco já lhe encantava. Há cinco anos, decidiu estuda-lo e se apresentar.

Paulo Augusto. (Foto: Maíra Coraci)

“Eu fazia Ciências Sociais na época e tendo contato com tudo, sociologia, antropologia. Nessa época conheci o [grupo teatral] Imaginário Maracangalha, então sistematizou bastante um pensamento que eu tinha em como transformar uma sociedade. É um ofício, é uma profissão e requer treino e estudo, requer aquisição de várias técnicas. Pensando em tudo, no nosso contexto, no conhecimento que eu tive contato. Comecei a fazer oficinas, vários cursos”, relembra.

Sua vivência como ator é encarada como um verdadeiro ofício e está muito ligada ao teatro de rua, quando nem sempre dá pra garantir o pagamento das contas nas performances. “Trabalhar com teatro de rua é muito bom, é lidar diretamente com a humanidade das pessoas e é muito bonito. [...] Ganhar dinheiro é difícil, mas recebo em várias apresentações, como no Sesc Cultura, pagam cachê pro grupo e a gente divide. Fomos selecionados pra festival em Santa Catarina, participamos editais públicos de fomento”.

Arte em espera

Em Campo Grande, espetáculos com ingressos de alto valor e geralmente de fora do estado costumam acontecer no Teatro Manoel de Barros, no Palácio Popular da Cultura, e mais acessíveis nas sedes de grupos teatrais e unidades do Sesc. Enquanto isso, dois espaços públicos de teatro estão fechados.

Tanto o teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo e o Teatro Municipal José Octávio Guizzo, em frente à prefeitura da Capital, estão há anos em reforma. Respectivamente, são responsabilidade da secretaria municipal e estadual de cultura.

Desde 2016, também não é pago o prêmio Rubens Corrêa e não é mais realizado o Circuito Sul-Mato-Grossense de Teatro, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Há um ano, também não é pago o FIC (Fundo de Investimentos Culturais).

Em outubro de 2018, saiu a última homologação de aprovados no Fomteatro e Fmic, fundos municipais de investimento a arte e cultura. Ao todo, a prefeitura destinou R$ 4 milhões para os 48 projetos selecionados.

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